
"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro, é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição."-
"PÓ DAS CINZAS, PENAS DAS ASAS" --> capitulos de IV a VII
Cap IV – Decisão
Após o maremoto atingir o Kaleido Star, Leon estava entre seu anjo e sua fênix, se aceitasse Layla e eles seriam os melhores e poderia finalmente ter o que seu coração ansiava tanto, porem iria perder o anjo que o reergueu até então...
- O que te faz pensar que eu iria aceitar ? – disse Leon calmo.
- O fato de você nunca ter pertencido a esse lugar, você nasceu para ser grande, estar no Cirque du Soleil, que te quer a qualquer custo e eu não me matei desde quando você tinha 12 anos para ser um mero palhaço de circo. – Alan armou a tenda e colocou Leon nela.
Era a verdade, Leon era grande e tinha o dom de arrastar multidões, mais do que qualquer outro no mundo porem ninguém o salvou de sua tormenta.
Após a morte de sua irmã ele vagou por períodos incessantes atrás de respostas, agarrou-se a uma pessoa e foi por ela empurrado para um precipício, parou no Kaleido Star por uma divagação e aqui achou o que lhe faltava.
Nada naquela hora mexeu mais no ambiente daquela sala do que a resposta, Layla desejava que Leon a aceitasse mas e depois? Sora assistia ruir tudo o que ela criou e... amou; e May sentia que aquilo iria mudar tudo, principalmente a sua ambição que talvez iria atingir o que ela tanto almejava, Kalos sabia das conseqüências mas concordava que as asas de Leon podiam crescer mais e mais fora de lá, e Yuri apesar de estas enraivecido tinha um gosto de vingança em sua boca insaciavelmente doce, Alan tinha tudo em suas mãos novamente e convenhamos estava feliz. Todos aguardavam naquela resposta, a decisão do Deus, e assim Leon disse:
- Irei à França, farei seus treinos com Layla e somente após nossa vitória, se esta ocorrer, irei com você para onde deseje me levar, assim não poderá me dizer que eu fugi pois quero vencer e ser grande como você sempre quis – ele lutou contra aquele momento a vida toda, agora mais do que nunca ele deveria voltar para a sua terra, por mais que fugisse disso, ao menos ganharia algo, quem sabe. O destino dele foi novamente encaixado no fluxo do tempo que ele sempre fugira e, ninguém mais do que o guardião dos palcos sabia disso, o que o afastou agora não o deixaria fugir e ele mais do que nunca com essa força ao seu lado, Layla, poderia encará-la com todas as suas forças.
O silencio podia ser tateado na sala, ninguém acreditava realmente que Leon abandonaria o Kaleido Star por uma técnica, só ele sabia o que aquilo traria a ele, na verdade muito mudaria, e ele realmente sabia o peso daquilo. Restituir seu lugar mas mais ainda queria ao seu lado Layla, como Alan devastara seus sentimentos, o racionalismo rendera a ele sua mente brilhante, Layla iria ficar com ele afinal ele se sacrificara por ela, e em troca ficaria com ele, já não havia mais espaço para ele naquele lugar, nada seria mais justo do que deixar Sora ser a grande estrela e com ela Rosetta, o Cirque era seu sonho, na verdade de Sophy, e assim cumpriria com o que sua irmã tanto quis e subir naquele palco e provar a ela de que ele conseguiu.
Cap. V – Déja vu
Sua chegada na França foi calma, após aquela decisão, ele e Layla providenciaram malas, e passaportes e embarcaram com Alan rumo a Paris, no avião os fragmentos do ocorrido ainda perturbavam a mente de Leon que remexia em cada uma delas.
Após aquele maremoto Kalos tomou a frente das negociações e concluiu aquele martírio:
- Bom decidido então, Leon você defenderá o titulo em nome do Kaleido Star juntamente com Layla, assim terá tempo até o seu contrato espirar e poderá ir para onde Alan te levar, May você ira ficar por sua conta, e Sora...
Sora estava em choque aceitou ceder Leon a Layla mas não seria para sempre, seria por alguns meses, o que seria dela então?
- Sora – continuou Kalos – você será sozinha daqui para frente. E encerremos o isso agora, estão todos dispensados exceto Yuri, Layla e Leon.
Todos obedeceram a Kalos e saíram e os três permaneceram na sala:
- Agora vamos ao nosso incidente – Kalos queria deixar claro antes do embarque e finalizar a ânsia de Yuri – não foi correto o que fizeram, Layla e Leon, poderiam ter acertado os detalhes aqui, tentem não causar mais embaraços sabem que aqui não é lugar de romance, e as suas atitudes terão efeitos sobre o Kaleido Star, Yuri satisfeito?
- Sim – na verdade aquele sim foi mais para dizer que venceu, provando para Layla que Leon era um grande cafajeste que só pensava nele, iria abandonar o Kaleido Star para seguir sua vida e assim o fez – espero que se divirtam na França.
Ele saiu da sala e bateu a porta, aquilo pareceu estar na verdade estar batendo a porta do coração de Layla que estremeceu quando isso ocorreu, e uma leve sensação de vitória por parte de Leon, apesar de tudo.
- Vocês serão agora nosso chão e lá serão nossas esperanças, vocês embarcam hoje no final da tarde em companhia de Alan que irá hospedá-los em sua casa, tirem o dia de folga e se arrumem para ir, boa sorte – Disse Kalos calmo.
Eles se viraram, Leon abriu a porta e deu passagem a Layla, no corredor tomaram sentidos opostos, Leon iria ao seu camarim pegar suas coisa e Layla para casa arrumar as malas.
A partir daquela afirmação eles embarcaram rumo a França rumo a verdade e principalmente aos seus desejos, a contagem até aquele momento em que eles se apresentariam e possivelmente ganhariam havia começado, e a tenda ruiria sendo assim o fim do deus da Morte e o inicio de uma possível nova vida, talvez.
Não houve conversa durante o vôo, apesar de Leon, Layla e Alan estarem lado a lado, desembaraçaram tranqüilamente. Tomaram um táxi e a caminho da casa de Alan, cada um deles podia ver a cidade luz brilhar intensamente e para eles aquilo nada mais era do que o brilho da mudança. Se encaminharam para o galpão acoplado a uma bela casa com três quartos onde Leon viveu grande parte de sua vida com Sophy, mas agora ao lado dele estava Layla, ela não se incomodou com as acomodações nem com o local que era belo e perto do centro de Paris:
- Layla – disse Alan ao abria a porta – ao subir a escada o primeiro quarto é seu, seguinte ao seu ficará Leon e o meu fica no fundo do corredor, peço que durma aqui pois os treinos começaram cedo e sem hora para acabar.
Leon entrou após Alan e fechou a porta, aquela sala com um sofá branco simples, o cheiro dos tacos de madeira do chão, atrás do sofá a mesa onde eles comiam, a cozinha delicada a esquerda, o banheiro a direita, e no fundo do corredor o acesso ao galpão de treinos, e lindas janelas decoradas eram o ambiente mais lindo para quem quer que entrasse lá, mas para Leon aquilo seria o inicio de uma tortura sem fim.
Layla subiu as escadas e entrou em seu quarto e lá se deparou com uma sensação estranha, tinha um ar leve de criança no quarto e um cheiro de flores, logo presumiu que aquele seria o quarto de Sophy e se assustou ao encontrar Leon parado a porta.
- Ela dormia aqui – ele disse com os olhos mais humanos do que de costume – e adorava olhar pela janela à noite.
Realmente havia lá uma janela que dava para a rua e podia-se ver de longe a torre Eiffel perto dali.
Layla não gostou daquela sensação, saiu do quarto, desceu as escadas e disse a Alan:
- Quando começaremos os treinos?
- Amanhã de manhã – ele estava fazendo uma sopa e os perfume dela fez Layla reparar que ele tinha cara de um pai que queria o bem dos filhos, mas o que naquela casa assustava ela?
- Eu vou sair um pouco se não se importar voltarei antes do jantar prometo – pegou seu casaco e saiu.
- Então Leon – Alan finalmente dirigiu a ele a palavra – o que ela tem para você estar tão inquieto? Você não mudou nada – ele soltou uma risada simples.
- Você não me conhece, e ela será a minha ascensão ao topo, não é? – ele queria correr e fugir mas permaneceu ali quieto analisando a si mesmo, estava tão obvio assim o possível sentimento dele por ela?.
- Ela será sim sua ascensão ou...- ele deu uma parada experimentou a sopa e disse – sua queda... você se esqueceu que pode amar também .
- Eu não amo mais nada a não ser eu mesmo – ele fez o mesmo que Layla, pegou seu casaco e saiu batendo a porta.
- Não se esqueça Leon essa cidade é a morada de seu passado apesar de tentar buscar nela seu futuro – disse Alan, desligando fogo e se dirigindo a janela.
No caminho que Layla fazia via as pessoas abraçadas, os casais apaixonados de Paris, e aquele ar de amor, continuou a andar pela avenida principal de Paris e se deparou com a Torre Eiffel que estava acesa devido ao horário, lá ela se sentiu só, refletiu sobre a decisão de Leon de abandonar o Kaleido Star apenas por sua técnica que ela pediu para ele executa-la, por quê?
De nada valia aquilo, largar o Kaleido Star por ela ... será que ele...? Não ele não poderia gostar dela, era prepotente demais para tanto mas e ela o que sentia?
Em sua divagação, não percebeu a aproximação de um rapaz.
- Linda essa vista não concorda? – ele disse com um tom carinhoso e belo – aqui é a morada de muitos anjos se você não sabe.
Layla ia ser rude com ele, mas parou e pensou que ele era apenas um morador de lá, de certo era, ele era um jovem lindo, de feições angelicais, olhos azuis calmos, um cabelo loiro preso a uma trança que atingia o meio das costas formando cachos na ponta, com mechas revoltas que se soltavam por causa do vento e batiam em seu rosto, isso dava a ele um jeito excitantemente belo, alto e robusto, tinha um corpo de um deus, rosto levemente arredondado, dava a ele um ar de anjo caído das nuvens. Estava lindamente vestido, um sobretudo preto cobria seu corpo, usava sapatos de grife, calça acinzentada e cachecol branco,o que provava que ele era alguém rico e importante, ele a lembrava alguém mas fosse quem fosse ele era maior, melhor e mais do que tudo, poderoso.
- Sim, porem precisa-se de alguém que possa observa-la com você. – ele disse docemente quase que sussurrando em seus ouvidos.
- Alguém como - ela logo pensou que ele iria cantá-la mas preferiu apenas ouvi-lo e respondeu como que não procura grande coisa naquilo – como um namorado?
- Layla esqueceu -se de dizer que o nome dessa pessoa é Yuri – O jovem disse.
Ela virou-se para ele com violência e viu então seu rosto mais de perto, ela não tinha dito seu nome, mas ao reparar viu a personificação do seu anjo em puro mal. Seus olhos dilataram, seu corpo esfriou, queria fugir mas foi agarrada, ele tampou sua boca e disse olhando para ela com os olhos frios e cruéis:
- Lembrou-se de mim só agora? Prazer em conhece-la sou Julian Jaccques.
E ela começou a desejar que alguém a salvasse daquilo, mesmo sendo esse Leon. Onde ele estaria?
Instantes antes Leon vinha andando duro, aquela conversa o fez se sentir estranho, se ele gostava dela o que iria fazer? Ela ama Yuri, nada faria pra mudar isso, nada, viu naquela cidade tudo o que queria esquecer, mas o mais importante estaria com ela, Layla.
Já não tinha rumo, andava sem saber para onde ia.
“Ela veio para me ajudar, eu serei o melhor após a vitória e saberei a verdade” era isso, seria frio e calculista até o final. Em seguida começou a correr como se fugisse de alguém, na sua pressa já estava na praça da Torre Eiffel, e com tudo esbarrou em uma mulher da rua, com seus reflexos rápidos a agarrou e puxou contra si, a dama agradeceu:
- Merci – disse a jovem.
- ... De nad... – Leon reparou então, era ela, a mulher que amou, seu nome, Cléo, era ela seu anjo, ou demônio, que o puxou do buraco, mas o empurrou num precipício, ela lembrava uma princesa, tinha a pele clara e cabelos negros como a noite, seus olhos azuis como o mar em noite de lua, lábios rubros como rosas, pele macia de pêssego, olhar de virgem apaixonada, corpo de deusa do Olimpo, e pertencente ao homem que ele tanto odeia. – Cléo...
- Leon ! – sua interjeição foi doce, ela também não pensava que o veria ali, só soube abraça-lo e dizer – que bom que voltou! Estou feliz que esteja aqui!
Ela o abraçou com vontade como se nunca quisesse tê-lo deixado ir.
Num turbilhão de pensamentos que passaram por sua cabeça Leon pode se recordar dela, ao menos o que não esquecera...Sim era ela, o mistério por traz da frieza de Leon, essa tal dama de nome Cléo, na verdade era um dos vários aprendizes de circo que haviam na época de Leon. Ela, Leon e Julian possuíam mestres, e ambos, ele e Julian, a conheceram num mesmo dia. Era um dia chuvoso, disso ele se recordava, ele e Julian tinham ido ao centro para ganhar algum dinheiro com suas acrobacias, porem a chuva estragou seus planos, desciam as ruas com velocidade, pisando nas poças de água, quando chegaram em casa, estavam encharcados, tremendo e com fome, ao entrarem tomaram cuidado para não deixar Alan vê-los molhados, mas de nada adiantou:
- O que vem a ser isso? – Alan gritou do corredor do térreo ao vê-los naquele estado – molhados, na minha sala? Querem ficar doentes e estragar todo o trabalho que tive para ensina-los? Vão tomar banho agora e depois limpar essa bagunça.
Quando estavam para subir as escadas uma pessoa veio atrás de Alan, ela era o que os homens deveriam chamar de “perfeita”, na época ela lembrava uma boneca de porcelana frágil, que Leon gostaria de proteger e manter ao seu lado e que Julian queria para expor e dizer que era propriedade dele, Leon na sua pura inocência da época, corou ao ver tanta beleza junta e nem um “olá” foi capaz de dar, já Julian, apesar de ter a mesma idade, foi tão cordial e simpático que deixou-a encabulada:
- Olá meu nome é Julian e acho que você é um anjo que caiu do céu de tão bela que é – Julian não sabia o que seria aquele calor no peito dele, e como Leon não se pronunciara interviu – e esse aqui é Leon, Leon Oswald...
- Hã, o quê ? – Leon estava absorto na dama, que estava com um vestido branco longo, chinelos simples e um casaco preto sobre os ombros, depois somente é que pensou em responder – haa oi.
- Oi.Prazer em conhece-los, meu nome é Cléo Valentine – ela disse com um sorriso inesquecível para Leon.
- Leon ! Está molhado! Vem tomar banho! Anda! – Sophy encontrava-se no topo da escada, descera para ver o que tinha acontecido, e junto com ela trazia toalhas para os dois.
Ela delicadamente secou os cabelos de Leon e em seguida os de Julian, e então se apresentou:
- Olá! Sou Sophy Oswald, prazer em conhece-la! – disse cordialmente.
- Prazer. – disse ela.
Logo após uma seqüência de chamadas de atenção de Alan, eles foram tomar banho.
Esse fragmento da memória de Leon era talvez o fato mais marcante nela. Após aquele encontro, e após o banho, Alan explicara a eles que ela iria ficar junto deles por um tempo, tomaria lições de circo pois ela iria fazer um teste para trabalhar num circo da região, tinha sido enviada por sua mestra da Sicília para ter aulas com Alan e permaneceria até o dado teste, se passasse ficaria na França, senão voltaria para casa, ela passou e ele, Leon, acabou por se apaixonar pela boneca que depois virou seu anjo e mais tarde seu demônio, e agora uma lembrança indesejada.
Leon estava inquieto, após esse lapso que durou segundos, quando estava começando a ficar calmo e aceitara que não iria se envolver com Layla, ela aparece, linda, e solitária. Ele via nela seu brilho, era maior que todas as estrelas, sua aura era mais forte do que qualquer anjo, era ela que Sophy amava mais no mundo, era ela solitária, perdera grande parte de seu brilho, algo nela gritava.
- Não gostou de me ver? – disse clama
- Não. Aliás nem sei o porque te encontrei – Leon disse frio, tentando voltar ao seu estado são, e afastou- a de seu corpo.
- Estou procurando por Ju...- não completou – bem, nada.
- Ainda está com ele! Não acredito que ele conseguiu te prender por tanto tempo – ele saiu andando procurando por Layla.
- Eu... Sim, estou – ela disse aquilo triste, abaixando a cabeça – nós vamos nos casar, em breve.
- Meus parabéns – foi um cumprimento, sarcástico, na verdade, e ela sabia o porque – se me dá licença.
- Não, não dou – ela começou a segui-lo – você não falou comigo após aquele ...
- Acidente? – completou Leon, queria achar Layla, agarrar-se a ela e tentar esquecer aquilo.
- Bem... É. – ela estava constrangida, sabia daquela historia, encara-la era doloroso demais, mas precisava contar-lhe o ocorrido.
E ela continuou a segui-lo, e ele a buscar Layla.
Layla estava em perigo, Julian a alertou de que qualquer grito, pedido de ajuda ou tentativa de fuga acarretaria num grave problema para ela, mas ela já sabia que ele não brincava com isso. Apesar de Leon levar o titulo de Deus da Morte, Julian era conhecido como Estripador, ele não machucava ninguém, dentro dos palcos, mas quando pessoas iriam enfrenta-lo ou se confrontavam com ele, estas se acidentavam, se machucavam, ou de alguma forma não poderiam comparecer as suas apresentações, ás vezes até problemas com familiares ocorriam, sempre que alguém o encontrava no caminho, mas ninguém fazia nada, era tudo “parte do show”, mas Layla não entendia o que aquilo tinha haver com ela. Ele a agarrou pelo braço e começou a arrasta-la, e por lugares que ela não conhecia, e para piorar ele começou a contar uma historia, de uma forma que a fez temer:
- Bem Layla, eu vi nos jornais seu envolvimento repentino com Leon, interessante, posso te contar uma história - ele olhou para ela, e ela claro não queria ouvir, mas continuou – Posso? Que bom então vamos lá.
“Era uma vez, dois garotos que perderam seus pais juntamente com uma linda garotinha, bom os nomes deles eram: Leon e Sophy Oswald e Julian Jaccques. Eles viviam num orfanato após a morte de seus pais, e eles viraram amigos e brincavam muito, mas o que eles mais gostavam era das artes circenses, eram admiradores, mas não podiam assistir a shows porque não tinham dinheiro ou ter aulas por causa que era muito caro, assim eles começaram por si próprios treinar circo, desde malabares com bolas, até diabolos e acrobacias. Num belo dia um homem foi ao orfanato com uma mulher, eles ficaram a olhar as crianças, e os garotos sabiam que eles não seriam adotados, afinal eram grandes, tinham quase 12 anos de idade, nunca seriam escolhidos, e assim continuaram seus treinos, nada muito excepcional mas chamava a atenção de como manipulavam objetos, e faziam acrobacia entre si, quando já estava quase escurecendo, e os jovens estavam exaustos, tinham desenvolvido umas duas técnicas novas e iriam entrar para comer e dormir, quando de repente o jovem e a moça se aproximaram deles, eles receberam o convite para serem aprendizes de circo! Eles ficaram muito felizes, mas... O homem só queria os rapazes e a pequena garotinha iria ficar, logo seu irmão mais velho se pronunciou e disse que não iria sem sua irmã, o outro gostava da companhia deles, mas ele queria ser grande, e não se importava muito com eles, mas pensou “e se ele fizer algo comigo? E se quiser me matar?” ele pensou, então achou mais sensato apóia-los, o homem queria os rapazes, mas vira que não iria ter nenhum, acabou cedendo.
Eles foram com o homem, que se chamava Alan, e descobriram que ele era uma grande artista de circo que agora era treinador, e a moça também só que ela era da Itália, na região da Sicília, e ela fora embora para o seu país de origem. Quando os treinos começaram, eles quase desistiram, era muito mais difícil do que pensavam, mas lutaram e passaram todo o tempo lutando para serem os melhores.
Até um dia em que tomaram uma grande chuva quando foram ao centro tentar ganhar algum dinheiro, chegaram molhados e sem nada nos bolsos, tomaram uma bronca daquelas, quando iriam se retirar, apareceu uma linda jovem, da idade deles e aprendiz da tal moça que conheceram no orfanato, ela iria aprender uma técnica com eles, mas o que ninguém sabia era que essa técnica na verdade foi criada única e exclusivamente para aquele casal de treinadores, o “Vôo dos Anjos”, seria ela e um deles para executa-la
Os treinos foram maçantes e mais e mais os garotos se aproximavam da tal moça, Cléo Valentine, ela era linda, de beleza inigualável, porem inocente e pura, Leon acabou por se apaixonar por ela e Julian de certa forma também. A técnica era difícil seria algo como a técnica angelical, mas envolvia mais uma dança pelos ares, trocas de trapézios insanas e no final o fechamento seria uma acrobacia na qual os dois se encontravam no centro do picadeiro e davam um giro, não na horizontal, mas sim na vertical, e no final o rapaz traria a moça para o trapézio e lá, bem lá teria um beijo.
O que ninguém sabia, novamente, é que só um dos dois rapazes seria esse tal moço.
Naquela altura eles já tinham 15 anos e a moça 16, o amor já corria por suas veias e o desejo por ela também, a amizade dos rapazes estava tornando-se uma batalha por ela, e a tal irmãzinha assistia tudo aquilo com coragem, e em segredo Alan ensinava a ela a Técnica Angelical e ela devorava tudo o que ele passava a ela, mas Leon era burro o suficiente para não perceber o quanto sua irmã estava acabada por causa daquilo, ele só queria ela, Cléo, e o outro também.
O que ninguém sabia era do amor que existia entre Leon e Cléo, na verdade Cléo foi a primeira em tudo para Leon, tudo mesmo! E Julian, bem Julian não queria aquilo, então tramou algo.
No dia da escolha do parceiro da tal dama, bem lógico que Julian ganhou, e Leon... Bem Leon não foi a favor, ai veio a surpresa, Alan dispensou Julian afinal a partir daquela técnica ele o considerava forte o suficiente para seguir seu caminho sozinho, mas Cléo queria Leon, assim decidiram continuar seu secreto romance.
Ai veio o “grã finale”, o F.I.C., lógico que eles iriam participar, e Leon iria com Sophy, Julian já sabia da tal técnica angelical, e estava disposto a derrubar aquilo que poderia dificultar a sua ascensão. Então ligou para um parente distante dele, Yuri Killian, lindo jovem russo que confabulou com ele um plano. Era simples, sabendo por Julian da paixão de Sophy por ele, ele ligaria para ela e diria que queria ansiosamente conhece-la, ela não iria resistir ai, bem ele iria ceda-la e impedi-la de ir deixando Leon a ver navios, e enquanto isso, Julian tomaria para si aquilo que almejava tanto, e acabaria deixando de participar também como parte do acordo. Para que isso ocorresse, ele disse que queria resolver um ultimo detalhe com Cléo, e a chamou em seu quarto, lá a sedou com um comprimido para dormir, e bem digamos que tomou para si a dama de Leon, e esperou.
Por obra do destino a confabulação saiu melhor que a encomenda! E Sophy sofrera um acidente, Leon desesperado foi procurar Cléo e, bem, a encontrou na cama com outro! Tadinho do Leon! Lógico que Julian apanhou um pouco, e Cléo, bom ela acordou e, apesar de chorar e dizer que não sabia o que tinha acontecido, ele a deixou sozinha, e ela comigo, oh! Logo após isso ele descobriu que Sophy morrera, Yuri ganhou o F.I.C. com Layla e perdeu o seu amor para o seu rival, ou seja, moral da historia, Leon é um fracassado”.
- Gostou da historia? – ele perguntou para ela, friamente.
Naquela altura ela estava num beco sujo, com a boca tapada pelas mãos de Julian e ela via ele como um contador de historias de terror, e seus olhos estavam com um brilho assustadoramente calmo, a outra mão contornava o rosto de Layla, passando pelo queixo, descendo até o pescoço, contornando os seios belos dela, passando pela cintura, descendo as pernas e por fim voltando ao rosto.
- Só não te machuco de verdade porque quero que Leon se apaixone por você para mim roubar mais uma dele – ai os olhos dele encararam ela – e você o que me diz? Seu namorado, ou noivo ou ex, ou sei lá o que, viu como ele é igual a mim, Srta. Layla?
Destapou a boca dela, mas ela estava traumatizada o suficiente para gritar e responder, aquela historia seria real, ele faria isso por aquele titulo? Ela merecia aquele titulo? Ela ficou a pensar, e deixou uma lágrima escorrer, a garota que morrera era Sophy, o quão boa ela era para eles tramarem aquilo? Seria ela capaz de vencer a irmã de Leon?
- Eu sei o que está pensando, será que você a venceria? Eu acho que sim, mas o ponto não é esse, eu quero te alarmar de uma coisa, esse ano Cléo e eu venceremos, não se meta ou você será mais uma na minha lista entendeu? – ele se afastou e penetrou com os olhos sobre ela, e deu-lhe um beijo frio sobre os lábios assustados dela – agora vá, e corra para Leon ele deve estar te procurando, esta avisada.
Layla saiu desnorteada, assustada e com medo, Julian permaneceu no beco onde acendeu um cigarro, e lá recebeu um telefonema:
- Jaccques, o que? Ele aqui? Certeza? Estou a caminho deixe-me só achar Cléo deve estar a gastar meu dinheiro, sim estarei lá, amanhã? Melhor ainda, OK, Salut.
Ela, assustada com a historia que passava por sua cabeça a cada instante, esbarrava em todos, que xingavam em diversas línguas, num desses encontroes esbarrou em Leon e ao lado dele Cléo que tentava desesperadamente manter um dialogo com ele.Ele surpreso viu-a assustada, segurou-a com força e disse:
- Layla o que houve! Layla! Fale comigo! – ela estava branca como a neve que começava a cair, ela levantou a cabeça e apenas começou a falar palavras soltas.
- Frio...Medo...Sophy...Julian...Leon... desculpa...- ela desmaiara sobre ele, sobre seus braços, Leon se assustou, o que seria aquilo?
Da multidão viu seu anjo aparecer, Julian vinha andando, calmo, com um cigarro aceso, e vindo em direção á Leon disse:
-Leon que saudade! Layla! Tadinha! Acho que não agüentou a historia da sua vida – dissera aquilo para irrita-lo, e conseguira – não se preocupe Leon ela sabe tudo, espero que agüente, aqui é uma morada de anjos, mas também de demônios ! Há-há-há-há-há!
Leon virou-se violentamente para Cléo e disse:
- Afaste-se de mim, afastem-se de nós! – exclamou com coragem, e saiu a andar, passando por Julian, correu para sua casa, assustado e definitivamente arrependido de ter vindo para a França.
- Que pena nem pudemos tomar um chocolate quente – Julian se virou em direção a Cléo que agora chorava, abraçou-a com violência e sussurrou em seu ouvido – não se preocupe nada vai nos atrapalhar.
- Suas palavras tem veneno – Cléo afirmou com medo.
- Eu sei – ele então a beijou com raiva – mas você é minha, seus desejos são meus e nada que você faça ira liberta-la de mim.
Cléo, sentia o beijo como uma morte instantânea, um beijo envenenado que a matava aos poucos e tragava dela um pedaço de sua vida.
Cap. VI – Cléo Valentine
Realmente aquele foi o ponto critico de todo a que ela passou em sua vida. Ela presa as correntes de Julian, não podia se aproximar de Leon, que por sinal estava com Layla, e ela novamente estava sozinha no mundo criado por Julian.
Quando saíram da praça, tomaram rumo a casa deles, ou melhor de Julian, num distrito relativamente longes do centro, mas de alto padrão, típico de dele. Tomaram um táxi, e durante o caminho nada falaram, apesar de ela estar praticamente vendo sob seus olhos tudo o que a levou àquele momento.
Cléo nasceu na região da Sicília embalada pelo cheiro do mar e de uma vontade de alcançar as gaivotas do cais e voar como um anjo.
Ao ser designada por sua família, os Valentine, que estavam em decadência, com a missão de trazer o prestigio de volta, foi levada para treinar com a maior artista de circo da região Agatha Solo, herdeira dos Solo da Grécia e ex-parceira de Alan.
Ela, por desejar o mundo, o céu, o topo, enfrentou chuva sobre sues ombros, pesos em seus braços, horas exaustivas de musculação para alcançar o topo, e chegou bem perto dele quando sua treinadora a convocou para ir a “Cidade Luz”, Paris.
Treinando com Alan poderia ser dona da Técnica Angelical que era mundialmente famosa e mundialmente temida por todos os artistas de circo. Ela se julgava capaz de executá-la e acabou por cair do cavalo quando descobriu que na verdade seria dona de outra grande técnica o “Vôo do Anjos”, a técnica que foi executada somente uma vez por Alan e Agatha. Sua vontade de lutar para alcançar o céu minguou mas algo a reergueu. A presença de dois belos jovens naquela casa, dividindo seus treinos, naquela cidade, fez com que ela acreditasse ser capaz.
Julian Jaccques e Leon Oswald eram antes uma força pois ela sentia dó deles após saber de suas trágicas historias, sentimento esse que se transformou em alimento pois apesar de abandonados ainda assim lutavam por seus sonhos e estavam a milímetros de alcança-los. Junto daquela força e coragem ela embarcou rumo a essa técnica, mas acabou por se enfeitiçar pelos sonhos e asas deles, mas sem saber do que um deles escondia.
Leon, jovem tímido, beleza nunca antes vista e virilidade de um semi-deus, trazia a Cléo uma sensação de paz, conforto e coragem, o mais intrigante, pensava ela, seria como toca-lo, como aproxima-lo dela. Seus braços fortes a dominar o trapézio, a leveza dos movimentos, os olhos instigados a lutar, ela queria aquilo, queria aqueles braços a protegê-la, a leveza embalando-a e os olhos azuis acinzentados sobre si. Dizer que ela o amava talvez não era o suficiente, a idolatração do anjo que um dia iria guiar outro anjo aos céus era grande, mas sua ira quando soube que ela não seria esse anjo enfureceria a princesa.
Já Julian, herdeiro do sol, de olhos apaixonantes e força de um tigre, trazia nela uma sensação de desejo, queria apenas sentir o corpo quente dele e nada mais, algo como um instinto carnal pelo tigre, nada mais alimentava ela por ele. Ele sabia ser cordial, amoroso e atencioso, diferente de Leon que era reservado demais. Ela nunca poderia pensar que ele iria tecer a mais fina teia, de tão rara qualidade e engoli-la de tal forma que nem suas chamas poderiam queima-la.
Mas com Leon era diferente, após cerca de um mês do inicio dos treinos eles se aproximaram de forma muito sutil e doce.
Trocavam olhares, saiam juntos, viviam as mesmas experiências, compartilhavam a mesma dor, tão íntimos e ao mesmo tempo tão separados, nem Julian percebeu aquela aproximação. Foi numa noite fria quando ela saiu enfurecida que aquele amor aconteceu.
Ela estava revoltada com o treino preparatório que deveria ser para entrar em alguma escola de circo, mas sabia desde o inicio que não era aquilo, treinava para uma técnica da qual não conhecia e com dores em lugares que nem sabia que sentiam dor. Não avisou que iria sair, simplesmente saiu, quando deram por sua falta, convocaram Leon para procurá-la, ele saiu apressado, revirando ruas e becos e a encontrou a beira do Rio Sena, solitária a olhar para as águas calmas sob a noite:
- O que faz aqui? – disse ele ao vê-la apenas com um vestido preto revolto sobre o vento deixando suas pernas fortes aparecerem – estão te procurando! Se Alan e Agatha a virem assim eles me matam.
- Que matem – Cléo disse rispidamente – prefiro morrer, sabe o que não é saber o que enfrentamos? O porque treinamos tão incessantemente sem saber para que?
- Alan sempre agiu assim – Leon, que naquela época agia civilizadamente, com o pouco de coração que lhe restava consolou-a – temos que lutar e treinar e você têm que ser forte para alcançar seu sonho de alcançar o céu.
- Não! – ela gritou – eu mereço explicações, estou longe da minha casa há um ano e meio e... Não tenho ninguém para me apoiar.
As lagrimas molhavam o busto ofegante, os cabelos negros torturavam o rosto avermelhado castigado pelo frio que fez com que Leon jogasse seu casaco sobre ela e pela primeira vez a abraçou com amor de quem realmente aceita o sentimento:
- Você tem a mim, e todo o meu amor por você – ele disse acalentando aquela dor.
Ela retribuiu o abraço com o fervor daquela paixão, daquele desejo de aproximação, e timidamente Leon ergueu seu rosto pelas pontas dos dedos frios, e pode observar as curvas do rosto de Cléo, desde os olhos azuis, e a pele branca rosada e avermelhada, a seus rubros lábios aguardando para serem deflorados, e ela o mesmo, observado aquele rosto do jovem homem da qual percebera que nutria tanto amor e consideração. Ao avançar sentiu duvida que foi esclarecida por ela que avançou um pouco e ele terminou por beija-la, um beijo doce e quente, que aqueceram ambos lábios frios e os encheu de calor. Mas não perceberam que alguém os espreitava, quieto, ao longe em pleno silencio, mas com uma cólera gemendo por dentro.E permaneceram juntos, nessa relação quieta e secreta até o grande dia.
A tão dura batalha entre Leon e Julian aconteceu seis meses após aquele momento, a essa altura os rapazes tinham 17 anos e a moça 18, aquele confronto foi travado num dia de sol, estavam presentes no ginásio Cléo, os dois rapazes, Sophy, Alan e Agatha.
A prova era simples, deveriam executar o maior numero de acrobacias em 3 minutos, o que não havia muito haver com os treinos preparatórios, trazendo aos jovens duvidas do porque daquilo, mas Alan disse apenas uma frase solta no ar:
- O Vôo dos Anjos – disse Alan – não é só uma técnica, é também uma “revelação”, quem ganhar hoje irá lutar para alcançar o céu mas só alcançará se suas “asas” forem nobres, brancas e verdadeiras.
Nada aquilo esclareceu, apenas criou um vácuo na memória de Cléo que ressurgia naquele instante no carro.
Julian conseguiu vencer fácil por apenas uma volta a mais do que Leon, que ao perceber que perdera ganhou um brilho no olhar unicamente raivoso, afinal sabia do final da acrobacia, do beijo, e de seu ciúmes por Cléo, quem acabou por consolá-lo foi Sophy, mas era ela, Cléo que devia dar-lhe colo, ela!
O amor deles vivia em segredo, apenas Sophy sabia por ser irmã de Leon, nem os treinadores desconfiavam, pensava ela, mas aquela derrota soou estranho para ela, quando Alan deu-lhes os parabéns por estarem prontos para o real treino, que seria dado por Agatha:
- Bem agora que definimos isso Julian você passará a ser treinado por Agatha, a minha parte com você acabou – Alan foi sucinto e um pouco mais caloroso, sentia orgulho dele – você permanecerá aqui na França mas em outro local juntamente com Cléo, e terão a honra de participar do festival internacional de circo.
- Agradeço desde já – Julian disse.
- Mas... – Agatha interviu – ainda não acabou, agora Julian e Cléo serão os novos donos da técnica do Vôo dos Anjos, e Sophy e Leon serão contemplados com a Técnica Angelical.
- O que? – Leon e Cléo exclamaram.
- Sim, vocês – Agatha parecia ter planejado tudo – como você Leon não reparou, Sophy vinha tendo treinos periódicos tanto comigo quanto com Alan, para essa técnica, o destino apenas jogou as cartas na ordem certa desta vez.
Cléo queria gritar, seu céu sendo dominado por outra! Para ela, Sophy era uma incapacitada, fraca e sem nenhuma condição de executar aquilo, quando ganhou o Vôo dos Anjos, e Sophy a Técnica Angelical, nada podia dizer o quanto aquilo era maçante para ela suportar, já previa como iria ser. Leon treinaria com Sophy, sua atenção se voltaria para ela, sua coragem em dizer palavras de forçam em curá-la e carregá-la nos braços quando exausta, apesar de os braços dele estarem matando-o, aquilo deveria ser dela! Pertencia a ela, sua vontade de tocar o céu acabou por se inflamar em chamas para derrubá-la, por mais que Sophy a tivesse como um ídolo iria derrubá-la e subir ao topo ao lado de Leon.
A coragem dela de vencer passou a ser alimentada por uma raiva para com a jovem, da técnica, do afeto, da atenção, da luta dela para alcançar um sonho e por suas asas. Eram brancas e puras, de invejar a todos, de iluminar por onde passa, coisa que Cléo não tinha, a sua vontade era quase uma ambição, mas toda ambição exagerada passa a ser algo doentio.
Ver Leon quando dava, sentir dores, estar longe de casa e de seu amor, consumia Cléo que cada vez mais perdia as “asas” da qual a técnica pedia, sua pureza era corrompida por ódio, ambição e inveja, mas ela iria vencer.
No tal dia do F.I.C. acabou por ir falar com Leon, desejar-lhe boa sorte, ele a tratou bem, beijou-a e desejou que vencesse o melhor, mas Leon estava perturbado, Sophy havia saído e não retornara ainda e eles seriam os próximos e nada dela.
Cléo quase viu aquilo como uma benção, mas logo em seguida foi chamada por Julian para uma breve conversa em seu quarto, despediu-se dele e subiu.
Tudo acontecera naquela hora, Sophy sendo atropelada e ela cedada por um maldito copo d’água, ferida por dentro por Julian.
Quando acordou no quarto, estava nua e se sentia sonolenta, apenas pôde ver dois vultos que aparentemente estavam voando, quando recobrou a visão, percebeu, eram Julian e Leon, brigando, mas por que? Por ela! Ela perdida naquela cama, pediu ajuda a Leon que a empurrou com tanta força que acabou por machuca-la, tinha perdido a apresentação, e tinha sido ferida:
- Você me traiu – Leon gritava – logo agora que eu mais preciso de você!
- Não estou entendendo Leon – Cléo chorava e tentava ao máximo fazer Leon abrir os olhos.
- Não percebe! Você, nua na cama, no quarto de Julian, o que acha que eu sou! Idiota!? – Leon avançou contra Julian e o bateu com toda a força que lhe restava, e toda a dor que o consumia.
- Acabou Leon, provou-se um perdedor, ela me ama e você não tem nada – consumou-se a vingança de Julian.
- Adeus Cléo e obrigada por me derrubar no mais fundo precipício de dor, a traição – Leon andou em direção a porta, bateu-a com força e desapareceu da França, da vida dela e do mundo.
- Não, não, não! – Cléo ainda gritava – enrolada a um lençol, e ajoelhada no carpete frio clamava por piedade – ele me ama, eu não quis isso, eu não fiz isso.
- Acabou Cléo, ele não te ama, provou que não acredita em você – Julian ainda sangrava pela boca mas mesmo assim a abraçou, estava somente de calça, e podia-se ver as marcas dos encontrões com a parede e os móveis, e os socos de Leon – mas eu ainda estou aqui, deixe que eu te proteja, confie em mim.
Era aquilo, o inicio da jaula, da teia ou de qualquer coisa que a prendera nesse mundo que era comandado por Julian. Seu fim e sua derrota, foi naquela noite. Logo após cerca de três meses desde o acidente, Julian mudou e assumiu, a forma do demônio sugador de vidas, a vida de Cléo, em várias das vezes em que a agredia, a violentava, ele mais e mais contava o que realmente acontecera naquela noite, do remédio para dizer que ela “traiu” Leon, do plano dele e de Yuri para afastar Sophy dos palcos, e do desaparecimento de Leon, e Julian ressaltava que apesar de amá-la Leon não voltaria atrás, por conhece-lo desde criança sabia que bastava uma “pisada” para ele nunca mais querer ver a imagem de alguém.
E ela sofria e chorava e desejava que por mais que ele a machucasse nada mudaria aquilo, principalmente por desejar o pior para Sophy, somente por uma maldita técnica e uma pessoa que era seu irmão e que tinha com ela uma paixão e um zelo nunca visto igual, era ela que estava errada e por mais que tentasse fugir de Julian cada vez mais se sentia igual a ele, frio, calculista e marcado por traumas igual ela, nem Leon, nem ninguém poderia apagar.
Ao chegarem a casa, ela entrou na frente de Julian, passou por um hall lindamente decorado com flores, e foi em direção a bandeja de vinhos que se encontrava na sala de estar, quando estava para levantar a garrafa, Julian apoiou a mão sobre o ombro dela e disse:
- Bem... Ele ainda não acredita em você – Julian começou a roçar o queixo nos ombros dela, e acabou por derrubar o xale que deixou a mostra a roupa que ela vestia, uma blusa de frente única usada em treinos, e docemente beijava seu pescoço e tocava com suas mãos calejadas o corpo da princesa – mas que pena que não pode sair daqui não é? Ficou feliz de vê-lo?
- Queria poder tê-lo beijado e ao menos relembrar de quando eu era feliz – Cléo o alfinetou, ele se afastou e ela encheu uma taça de vinho que bebeu em um gole só.
Ao se afastar dela, ela começou a consumir mais e mais vinho, tentando se acalmar. Quando de repente sentiu uma forte pancada na nuca, que a empurrou por sobre a bandeja e o buffet e acabou por rolar sobre ele derrubando a bandeja, e um vaso que se espatifou no chão, escorregando até o chão, mórbida, tremendo e com medo, viu que o autor daquela pancada era Julian:
- Não se esqueça de me respeitar, quando nos casarmos, ninguém irá poder tirá-la de mim – Julian subiu as escadas que davam de frente para a porta de entrada e deixou Cléo no chão com as mãos cortadas pelo vidro, e a boca sangrando por ter batido a boca no móvel – a fênix negra nunca mais vai se erguer, você será feliz ao meu lado e de mais ninguém, eu te amo Cléo, e vê-la ao lado de Leon seria o mesmo que assinar seu contrato de morte, OK? Amanhã teremos visitas, esteja bela como sempre, e doce como um cãozinho adestrado, boa noite.
Deitada, se sentia suja, por ter sido violentada por Julian, por perder seu amor e por não ter como se desculpar por desejar que Sophy falhasse, chorava naquela imensa sala, embalada pela luz da lua que passava pela cortina e recaia por sobre seu rosto ferido, do seu apelido de palco, a Fênix Negra, agora só era dor e pó, gritava por ajuda, e para que pudesse escapar da lamina do Estripador, que a mantinha naquela jaula chamada culpa.
Cap. VII – Julian Jaccques
Quem não desejaria ser como ele? Belo, jovem, poderoso, rico, imponente, tinha tudo para ser o que alguém invejava ou desejaria ao menos uma vez na vida, era ser como ele. Mas ele mesmo não gostava de si, desejava ser algo que não podia ter, queria ser um anjo, igual aos anjos que rodeavam-no, puro, casto, verdadeiro. Não ter asas negras, não ser racional queria amor, mas amar com paixão, queria ser forte, mas não ter a fortaleza que criou, ser apenas algo que não era ele.
Após agredir Cléo, ele subiu as escadas do hall, brancas e decoradas com uma fina madeira, naquele imenso casarão no qual morava. Foi presente do pai de uma de suas amantes, uma russa da qual não se recordava o nome, onde o pai queria mais do que nunca mantê-la ao lado de um grande artista para melhorar a visão da mais uma das famílias que tinham decaído do mundo dos circos, como Cléo, mas ele mais uma vez apenas a usou para ter aquilo. Uma mansão num local nobre de Paris, para ele e Cléo, mais um status que ele conseguira em sua escalada para o sucesso.
Julian chegou ao topo e se dirigiu para o seu quarto, no fim do corredor. Tinha as portas entalhadas e dentro via-se um belo jogo de sofás, com uma linda TV, mais a frente um banheiro enorme, e uma sacada que alcançava todo o comprimento do quarto e tinha uma visão das luzes de Paris, que estavam incrivelmente intensas naquele ano, a cama de casal, lembrava camas antigas da época dos reis, e foi palco de quase todas as agressões para com Cléo.
Julian apenas entrou, e começou a se trocar, tirou a camisa, que deixou a mostra uma serie de marcas em suas costas, várias eram de cair do palco ou do trapézio, cortes profundos de quedas e marcas de agressão não de Leon, mas de seus pais.
Foi ao banheiro onde soltou e escovou os cabelos loiros, que estavas num comprimento absurdo, passavam do meio das costas, desabotoou a calça, e se encarou no espelho, os cabelos avançavam pela face perturbada que o deixava com uma visão andrógina se aquilo na frente do espelho seria homem ou mulher tamanha beleza escondida, parou e pensou quem ele era, se o que fazia era justo, perdera as penas de suas asas e consumia-se em cinzas. Apenas chacoalhou a cabeça, passou pela porta, tirou os sapatos, encheu uma taça de vinho e sentou-se no sofá onde começou a divagar sobre seu passado...
Julian quando levado ao orfanato foi tirado de sua família, que vivia na periferia de um dos distritos da França, a algumas horas de Paris. Naquele antro, dividia lugar com seu pai, um alcoólatra que mantinha a casa com uma seqüência incrível de crimes e nunca era pego, uma mãe que apanhava dele e descontava em Julian, que era o mais novo de três irmãos.
Tinha uma irmã mais velha que era praticamente uma prostituta que trabalhava no centro de Paris, para pessoas de cargos altos, e tinha uma vida de invejar, sendo mantida por uma seqüência de “bem-feitores”, ricos e influentes e um irmão do meio do qual sempre o ajudava e tinha um desejo talvez mais imponente do que os de Julian, queria crescer e ser famoso, rico, ter um futuro, ser um grande artista de circo, seu sonho seria o de ir para o Cirque du Soleil. E Julian acompanhando aquele desejo fez dele o seu também.
Sobreviver naquele lugar era tarefa de mestre, correr da policia e apanhar dela, conviver com infrações da justiça como suborno, além ameaças freqüentes. Seu pai, que sempre fugia para aquele cubículo de casa trazia “amigos” que abusavam de sua mãe, que nada podia fazer se não morria, e ele se escondia num lugar sujo da casa onde ouvia tudo e às vezes era obrigado a assistir aquelas maldades contra ela. Seus irmãos nunca estavam lá, Christine vivia no centro, vinha lá apenas para dizer ao pai dela que graças a mais um “favor” ele não seria preso e o avisava de quando ele deveria sumir para não ser pego, e ele em troca dava-lhe jóias vindas de seus furtos, seu irmão, Francis, estudava e trabalhava no centro e tinha uma conta onde guardava dinheiro para ir ao Canadá, e ele ficava isolado num mundo que ele tinha certeza de que nunca iria sair.
Após aquelas visitas, a mãe dele o pegava e batia nele até ele quase desmaiar, ele apenas chorava e gritava, afinal não poderia reagir aquilo, não tinha saída, e ela após espancá-lo jogava nele sal para que as marcas não aparecessem para que quando seu irmão voltasse, não visse o estrago.
Até o dia em que aquele mundo desabou, como se uma mão divina o tirasse daquele lugar.
Na época ele devia ter uns 10 ou 11 anos que ele podia jurar que eram uma vida interia jogada no lixo. Seu pai entrou numa grande fria, pedira dinheiro emprestado para comprar armas, mas não conseguiu pagar por elas na data estipulada. Os homens foram a casa deles, e pegaram sua mãe e a arrastaram-na até uma rua e atiraram contra ela sem dó, ela morrera na hora, em seguida vieram atrás dele. Ele corria com medo, via as balas zunirem sob seus ouvidos e corria e corria, quando viu que não tinha como fugir de tantos tiros e pessoas, virou-se e esperou para que uma bala o carregasse daquele lugar, fechou os olhos e aguardou.
Já tinha visto aquele lugar se apagando de sua memória, quando sentiu o tiro entrar, não em seu corpo mas no do seu irmão, ele se jogou a frente do tiro e mandou que ele corresse:
- Sempre aparece ajuda, você é bom Julian merece uma vida melhor, nem que para isso eu tenha que morrer – Francis ficou parado até ter certeza de que Julian estaria fora do alcance dos tiros e logo após constatar que ele estava seguro caiu na rua e logo foi abatido por mais tiros.
Julian corria e chorava, e quando chegou até uma rua deserta bateu de frente com um homem alto, que lembrava um anjo, que o pegou pelo braço. Julian com medo começou a se debater, tentando se soltar, mas o homem apenas abaixou-se na altura dele e o abraçou, e disse docemente:
- Calma, já acabou, agora você também pode descansar – o homem o abraçava com amor e calor de um pai e dizia – você lembra o meu filho sabe...
- Eu tenho medo, quero sair daqui – Julian chorava e o abraçava.
- Calma sempre quando você precisa um anjo aparece, não importa quando – o homem que dizia aquilo era alto, tinha os cabelos prateados presos em uma trança bela e imponente, os olhos eram verdes quase azuis, tinha as feições fortes e olhar doce, carregava uma arma automática e falava pelo radio de onde deveria atuar a equipe que por sinal estava atrás daquele pessoal. – não se preocupe eu comando essa operação, e você estará bem aqui comigo.
- Obrigado – foi a ultima coisa que ele disse, da qual se lembra. Daquele anjo que o salvou, queria ao máximo ser como ele, puro como ele, lutar pelo bem, mas ele sabia que não tinha sangue nobre como Alexander, estava fadado a uma vida de mentiras sobre seu passado.
Em seguida seu pai fora preso, os corpos do seu irmão e de sua mãe foram recolhidos e sua irmã também foi presa, o delegado, o homem que o abraçara, levou-o ao cemitério para o sepultamento de seus parentes. Lá Julian jurou ao seu irmão que ele teria tudo o que ele sonhara e a sua mãe teria paz, em seguida foi deixado em um orfanato onde morou até o dia em que Alan o escolhera.
Ele nunca mais soube do homem que o ajudou e o deixou naquele orfanato, que apesar de não ser o seu lar era o melhor lugar do mundo. Quando foi recebido pela dona do orfanato, ela lhe contou sobre o homem que o salvara, seu nome era Alexander Oswald.
Alexander Oswald. Seu anjo. Naquele instante ele desejou algo mais profundo de que ser grande, queria ser imponente como seu salvador, queria ser anjo como ele, ajudar os outros, e se não pudesse ajudar apenas encantar como ele o encantou. Iria deixar o cabelo crescer, e treinar muito para ser a personificação de Alexander.
Soube, porém pouco tempo depois, que ele havia morrido após uma outra missão contra um outro mercador de armas, e seus filhos seriam levados para um orfanato pois não tinham mais parentes e a mãe deles já tinha falecido vitima de um acidente no Cirque du Soleil.
E por acidente do destino conheceu Leon e Sophy, que foram levados para lá pouco tempo depois dele, Julian que até então não sabia que eram filhos de Alexander se tornou amigo deles.
Quando descobriu que Leon era filho do seu anjo, algo nele gritou. Ele nunca seria Alexander, pois havia um sangue que podia ser melhor do que ele, podia assumir o posto de “Alexander” e isso frustrou suas expectativas de ser o melhor “anjo”.
Aos olhos de Julian aquilo ferira ainda mais ele que era carregado de traumas violentos contra sua pessoa, ao saber que o seu amigo era o filho daquele homem, criou nele um sentimento de inveja pelo jovem.
Leon era calmo, simples, e com essas características fazia o encanto de todos, e Julian era um “nada” que viera de um lugar sujo, podre. Ele queria aquela imagem, aquele brilho, e quando se aproximou dele viu que realmente nada que ele fizesse mudaria seu passado, quando pôs isso em sua cabeça seguiu em frente e desejou apenas os céus.
Quando foram levados por Alan, ele também descobriu que seu irmão havia lhe deixado uma pequena fortuna que ele usou com toda a sua força para ser tornar grande. Assim usou aquilo para se tornar à imagem de Alexander, e conseguira, até Leon podia dizer que aquele era o pai dele mas ele não se sentia, “Alexander”. Sentia-se Julian disfarçado em marcas de roupas caras, e sorriso atraente, isso ele realmente sabia.
Depois conheceu Cléo, por quem se apaixonou. Deusa branca que estava se inflamando em chamas, dona do rosto de porcelana e dos lábios de mel, era ela que ele podia dizer, ser a personificação de sua felicidade, e nutrir algo por ela era mais fácil do que executar técnicas e tentar ser algo que ele não era.
Mas na realidade, o sentimento de frustração por não poder ser que o ele tinha desejado anteriormente já tinha tomado a maior parte do seu mundo, e já havia tomado o controle.
Assumiu o que era e como aquilo era necessário para ele, como ira ser de verdade e para sempre a pessoa “podre” que ele era, iria ao menos seria feliz com Cléo nem que ele tivesse que matar para conseguir. Conquistá-la era fácil, mas saber de seu amor por Leon foi mais do que um ardor, mas uma consumação do mal que corria em suas veias, decidiu por si mesmo que queria ela, amava ela e fez coisas terríveis por causa dela.
Quando soube que Alan o deixaria para treinar com Agatha, estava ciente do romance de Cléo e Leon. Separados pela distancia, Julian tomou as rédeas, e cercou Cléo.Conversavam muito, apesar de dez palavras que Cléo dizia, duas eram Leon. Ele sabia do amor, sabia das noites juntos, e detalhes delas.
Como foi a primeira vez, quando eles saíram para viajar depois de ela ter se mudado, e Leon disse que ela seria dele por inteiro, de alma, e de corpo, assim consumaram o amor um pelo outro numa praia no qual foram conhecer. Bem como das brigas e do ciúme dela para com Sophy, enfim, ele era o “melhor amigo” de Cléo.
Irritado com aquela situação, ele decidiu conhecer os seus oponentes, e como por ajuda do destino conheceu Yuri, jovem russo, que tinha medo do estrago que Leon poderia causar se ele o enfrentasse, e com ele tramou o plano que matou Sophy.
Na noite em que ele chamou Cléo ao quarto, ele já tinha afastado Sophy do caminho, e quando ela chegou serviu-lhe o copo de água. Ela bebeu com coragem, pois estava muito nervosa, foi questão de minutos até ela se sentir sonolenta e finalmente cair no chão.
Ele a carregou até a cama, e apoiou-a no travesseiro. Sabia que Leon iria chegar a qualquer hora desesperado pedindo ajuda a ela sobre o desaparecimento de Sophy, ele só teria de despí-la para que Leon tivesse a impressão de que ela dormira com ele e só, mas, vê-la dormir um sono tão belo e profundo, tirar suas roupas, e examinar o seu corpo de perto, as curvas belas, dos seios brancos, da respiração ofegante, das pernas fortes, de tudo, fez com que ele não resistisse àquilo que era de Leon, e cometeu o pecado de possui-la.
Leon ao chegar no quarto pode ver apenas Cléo nua escondida na penumbra de um quarto, e Julian sentado na janela, apenas de calça, que estava aberta. A reação dele foi de querer empurra-lo, mas pelo contrario, apenas começou a bater nele sem dó, e mais uma vez Julian se sentiu o garoto usado por todos que merecia aquilo como forma de tentar pagar por ser o que não queria, por ser o demônio de asas brancas, que somente se revelam à noite.
Naquele momento percebeu o monstro que era, o sangue que tinha e o destino que estava fadado a ter. Ter violentado Cléo foi a gota d’água que se revelou nele.
Mas ele esqueceu que ele podia mudar, cegou-se com sua imagem do passado e apagou o fato de que ele é um objeto inconstante e aberto a opções, ele, Julian Jaccques é um ser que pode errar, mas pode mudar e pode crescer. Ele poderia ter sido um anjo, ou quem ele quisesse desde que acreditasse no melhor...
Julian voltou de seu transe quando Cléo entrou no quarto machucada. Mancando e sangrando viu Julian divagando e disse:
- Não vai dormir?– disse ela entrando no banheiro.
- Ainda não – ele levantou-se e seguiu-a – vou te ajudar com os curativos.
Ele sentou-a no sofá e começou a passar remédio nas escoriações. Conforme passava, sentia o toque aveludado da pele dela e a velocidade na qual respirava. Cortes nas mãos, nos braços e nos ombros feriam a pele da Fênix Negra que foram feitos por ele, bolsas de gelo abrasavam a dor na nuca e na testa, marcada com uma forte vermelhidão, mancava pois caíra em cima do pé na hora que escorregou do móvel para o chão, conforme passava remédio nas escoriações sentia-a tremer ora por medo dele, ora por dor, Julian se sentia mal perante ela, talvez ela nunca fosse entender o amor dele por ela, e que provavelmente Leon ainda estava no coração dela, mas dadas às circunstancias, ele permaneceria ao lado de Cléo o tempo que ele pudesse agüentar.
Quando chegou a boca, contornou com os dedos os lábios que tinham um leve corte aproximou-se deles e beijou-os com doçura e amor e deixou cair uma lagrima fria por sobre as pernas de Cléo que levou um susto. Ela sabia o que era aquilo. Chamava-se culpa.
Ela conhecia toda a sua historia, pois Julian sempre oscilava entre o mal puro e o bem acalentador. Ora ele vagava em seu passado, ora o descarregava nela, e tudo o que ela sentia era dor e dó. Ele era sozinho, cresceu sozinho, apenas com uma certa ajuda do irmão do qual morrera por ele, e ele apenas era fruto do que passou.
Cléo segurou a mão dele sobre seu rosto e disse:
- Eu te desculpo – ela disse com o olhar de uma mãe, como se aquilo curasse as penitencias dele.
E ele apenas apoiou a cabeça sobre suas pernas e chorou, quieto, como sempre fazia no canto escuro do qual se escondia em sua casa, sentido os dedos de Cléo por seus cabelos longos, a olhar a janela e a noite.
O tão belo anjo acabou por perder a beleza da liberdade, consumiu-se em pó das cinzas e penas das asas que deixou partirem por não confiar de que ele era capaz de lutar e mudar.
Aquela noite, bem como aquele dia foi o mais longo de uma serie de longos dias que passariam pela França e pela vida dos jovens.
A roda do tempo gira com mais força ainda... Quando irá parar?
Em que posição deixará as almas e a que horas cessará?
Nem Cléo, Julian, Leon ou Layla podiam afirmar, mas o tempo passa e não pára, ele entra em nossas vidas e nos convida a rir ou chorar, ou nos marca para sempre...
Até quando dura o sempre?
acabei por exagerar nesse post, porém, eu tenho que alcançar a publicação que se encontra no orkut, e em alguns sites por isso desculpem ¬¬
com esses capitulos de hoje, esclareci tudo o que eu tinha levantado anteriormente, e acrescentei algo mais nessa mistura, dentre elas está os novos personagens:
Após o maremoto atingir o Kaleido Star, Leon estava entre seu anjo e sua fênix, se aceitasse Layla e eles seriam os melhores e poderia finalmente ter o que seu coração ansiava tanto, porem iria perder o anjo que o reergueu até então...
- O que te faz pensar que eu iria aceitar ? – disse Leon calmo.
- O fato de você nunca ter pertencido a esse lugar, você nasceu para ser grande, estar no Cirque du Soleil, que te quer a qualquer custo e eu não me matei desde quando você tinha 12 anos para ser um mero palhaço de circo. – Alan armou a tenda e colocou Leon nela.
Era a verdade, Leon era grande e tinha o dom de arrastar multidões, mais do que qualquer outro no mundo porem ninguém o salvou de sua tormenta.
Após a morte de sua irmã ele vagou por períodos incessantes atrás de respostas, agarrou-se a uma pessoa e foi por ela empurrado para um precipício, parou no Kaleido Star por uma divagação e aqui achou o que lhe faltava.
Nada naquela hora mexeu mais no ambiente daquela sala do que a resposta, Layla desejava que Leon a aceitasse mas e depois? Sora assistia ruir tudo o que ela criou e... amou; e May sentia que aquilo iria mudar tudo, principalmente a sua ambição que talvez iria atingir o que ela tanto almejava, Kalos sabia das conseqüências mas concordava que as asas de Leon podiam crescer mais e mais fora de lá, e Yuri apesar de estas enraivecido tinha um gosto de vingança em sua boca insaciavelmente doce, Alan tinha tudo em suas mãos novamente e convenhamos estava feliz. Todos aguardavam naquela resposta, a decisão do Deus, e assim Leon disse:
- Irei à França, farei seus treinos com Layla e somente após nossa vitória, se esta ocorrer, irei com você para onde deseje me levar, assim não poderá me dizer que eu fugi pois quero vencer e ser grande como você sempre quis – ele lutou contra aquele momento a vida toda, agora mais do que nunca ele deveria voltar para a sua terra, por mais que fugisse disso, ao menos ganharia algo, quem sabe. O destino dele foi novamente encaixado no fluxo do tempo que ele sempre fugira e, ninguém mais do que o guardião dos palcos sabia disso, o que o afastou agora não o deixaria fugir e ele mais do que nunca com essa força ao seu lado, Layla, poderia encará-la com todas as suas forças.
O silencio podia ser tateado na sala, ninguém acreditava realmente que Leon abandonaria o Kaleido Star por uma técnica, só ele sabia o que aquilo traria a ele, na verdade muito mudaria, e ele realmente sabia o peso daquilo. Restituir seu lugar mas mais ainda queria ao seu lado Layla, como Alan devastara seus sentimentos, o racionalismo rendera a ele sua mente brilhante, Layla iria ficar com ele afinal ele se sacrificara por ela, e em troca ficaria com ele, já não havia mais espaço para ele naquele lugar, nada seria mais justo do que deixar Sora ser a grande estrela e com ela Rosetta, o Cirque era seu sonho, na verdade de Sophy, e assim cumpriria com o que sua irmã tanto quis e subir naquele palco e provar a ela de que ele conseguiu.
Cap. V – Déja vu
Sua chegada na França foi calma, após aquela decisão, ele e Layla providenciaram malas, e passaportes e embarcaram com Alan rumo a Paris, no avião os fragmentos do ocorrido ainda perturbavam a mente de Leon que remexia em cada uma delas.
Após aquele maremoto Kalos tomou a frente das negociações e concluiu aquele martírio:
- Bom decidido então, Leon você defenderá o titulo em nome do Kaleido Star juntamente com Layla, assim terá tempo até o seu contrato espirar e poderá ir para onde Alan te levar, May você ira ficar por sua conta, e Sora...
Sora estava em choque aceitou ceder Leon a Layla mas não seria para sempre, seria por alguns meses, o que seria dela então?
- Sora – continuou Kalos – você será sozinha daqui para frente. E encerremos o isso agora, estão todos dispensados exceto Yuri, Layla e Leon.
Todos obedeceram a Kalos e saíram e os três permaneceram na sala:
- Agora vamos ao nosso incidente – Kalos queria deixar claro antes do embarque e finalizar a ânsia de Yuri – não foi correto o que fizeram, Layla e Leon, poderiam ter acertado os detalhes aqui, tentem não causar mais embaraços sabem que aqui não é lugar de romance, e as suas atitudes terão efeitos sobre o Kaleido Star, Yuri satisfeito?
- Sim – na verdade aquele sim foi mais para dizer que venceu, provando para Layla que Leon era um grande cafajeste que só pensava nele, iria abandonar o Kaleido Star para seguir sua vida e assim o fez – espero que se divirtam na França.
Ele saiu da sala e bateu a porta, aquilo pareceu estar na verdade estar batendo a porta do coração de Layla que estremeceu quando isso ocorreu, e uma leve sensação de vitória por parte de Leon, apesar de tudo.
- Vocês serão agora nosso chão e lá serão nossas esperanças, vocês embarcam hoje no final da tarde em companhia de Alan que irá hospedá-los em sua casa, tirem o dia de folga e se arrumem para ir, boa sorte – Disse Kalos calmo.
Eles se viraram, Leon abriu a porta e deu passagem a Layla, no corredor tomaram sentidos opostos, Leon iria ao seu camarim pegar suas coisa e Layla para casa arrumar as malas.
A partir daquela afirmação eles embarcaram rumo a França rumo a verdade e principalmente aos seus desejos, a contagem até aquele momento em que eles se apresentariam e possivelmente ganhariam havia começado, e a tenda ruiria sendo assim o fim do deus da Morte e o inicio de uma possível nova vida, talvez.
Não houve conversa durante o vôo, apesar de Leon, Layla e Alan estarem lado a lado, desembaraçaram tranqüilamente. Tomaram um táxi e a caminho da casa de Alan, cada um deles podia ver a cidade luz brilhar intensamente e para eles aquilo nada mais era do que o brilho da mudança. Se encaminharam para o galpão acoplado a uma bela casa com três quartos onde Leon viveu grande parte de sua vida com Sophy, mas agora ao lado dele estava Layla, ela não se incomodou com as acomodações nem com o local que era belo e perto do centro de Paris:
- Layla – disse Alan ao abria a porta – ao subir a escada o primeiro quarto é seu, seguinte ao seu ficará Leon e o meu fica no fundo do corredor, peço que durma aqui pois os treinos começaram cedo e sem hora para acabar.
Leon entrou após Alan e fechou a porta, aquela sala com um sofá branco simples, o cheiro dos tacos de madeira do chão, atrás do sofá a mesa onde eles comiam, a cozinha delicada a esquerda, o banheiro a direita, e no fundo do corredor o acesso ao galpão de treinos, e lindas janelas decoradas eram o ambiente mais lindo para quem quer que entrasse lá, mas para Leon aquilo seria o inicio de uma tortura sem fim.
Layla subiu as escadas e entrou em seu quarto e lá se deparou com uma sensação estranha, tinha um ar leve de criança no quarto e um cheiro de flores, logo presumiu que aquele seria o quarto de Sophy e se assustou ao encontrar Leon parado a porta.
- Ela dormia aqui – ele disse com os olhos mais humanos do que de costume – e adorava olhar pela janela à noite.
Realmente havia lá uma janela que dava para a rua e podia-se ver de longe a torre Eiffel perto dali.
Layla não gostou daquela sensação, saiu do quarto, desceu as escadas e disse a Alan:
- Quando começaremos os treinos?
- Amanhã de manhã – ele estava fazendo uma sopa e os perfume dela fez Layla reparar que ele tinha cara de um pai que queria o bem dos filhos, mas o que naquela casa assustava ela?
- Eu vou sair um pouco se não se importar voltarei antes do jantar prometo – pegou seu casaco e saiu.
- Então Leon – Alan finalmente dirigiu a ele a palavra – o que ela tem para você estar tão inquieto? Você não mudou nada – ele soltou uma risada simples.
- Você não me conhece, e ela será a minha ascensão ao topo, não é? – ele queria correr e fugir mas permaneceu ali quieto analisando a si mesmo, estava tão obvio assim o possível sentimento dele por ela?.
- Ela será sim sua ascensão ou...- ele deu uma parada experimentou a sopa e disse – sua queda... você se esqueceu que pode amar também .
- Eu não amo mais nada a não ser eu mesmo – ele fez o mesmo que Layla, pegou seu casaco e saiu batendo a porta.
- Não se esqueça Leon essa cidade é a morada de seu passado apesar de tentar buscar nela seu futuro – disse Alan, desligando fogo e se dirigindo a janela.
No caminho que Layla fazia via as pessoas abraçadas, os casais apaixonados de Paris, e aquele ar de amor, continuou a andar pela avenida principal de Paris e se deparou com a Torre Eiffel que estava acesa devido ao horário, lá ela se sentiu só, refletiu sobre a decisão de Leon de abandonar o Kaleido Star apenas por sua técnica que ela pediu para ele executa-la, por quê?
De nada valia aquilo, largar o Kaleido Star por ela ... será que ele...? Não ele não poderia gostar dela, era prepotente demais para tanto mas e ela o que sentia?
Em sua divagação, não percebeu a aproximação de um rapaz.
- Linda essa vista não concorda? – ele disse com um tom carinhoso e belo – aqui é a morada de muitos anjos se você não sabe.
Layla ia ser rude com ele, mas parou e pensou que ele era apenas um morador de lá, de certo era, ele era um jovem lindo, de feições angelicais, olhos azuis calmos, um cabelo loiro preso a uma trança que atingia o meio das costas formando cachos na ponta, com mechas revoltas que se soltavam por causa do vento e batiam em seu rosto, isso dava a ele um jeito excitantemente belo, alto e robusto, tinha um corpo de um deus, rosto levemente arredondado, dava a ele um ar de anjo caído das nuvens. Estava lindamente vestido, um sobretudo preto cobria seu corpo, usava sapatos de grife, calça acinzentada e cachecol branco,o que provava que ele era alguém rico e importante, ele a lembrava alguém mas fosse quem fosse ele era maior, melhor e mais do que tudo, poderoso.
- Sim, porem precisa-se de alguém que possa observa-la com você. – ele disse docemente quase que sussurrando em seus ouvidos.
- Alguém como - ela logo pensou que ele iria cantá-la mas preferiu apenas ouvi-lo e respondeu como que não procura grande coisa naquilo – como um namorado?
- Layla esqueceu -se de dizer que o nome dessa pessoa é Yuri – O jovem disse.
Ela virou-se para ele com violência e viu então seu rosto mais de perto, ela não tinha dito seu nome, mas ao reparar viu a personificação do seu anjo em puro mal. Seus olhos dilataram, seu corpo esfriou, queria fugir mas foi agarrada, ele tampou sua boca e disse olhando para ela com os olhos frios e cruéis:
- Lembrou-se de mim só agora? Prazer em conhece-la sou Julian Jaccques.
E ela começou a desejar que alguém a salvasse daquilo, mesmo sendo esse Leon. Onde ele estaria?
Instantes antes Leon vinha andando duro, aquela conversa o fez se sentir estranho, se ele gostava dela o que iria fazer? Ela ama Yuri, nada faria pra mudar isso, nada, viu naquela cidade tudo o que queria esquecer, mas o mais importante estaria com ela, Layla.
Já não tinha rumo, andava sem saber para onde ia.
“Ela veio para me ajudar, eu serei o melhor após a vitória e saberei a verdade” era isso, seria frio e calculista até o final. Em seguida começou a correr como se fugisse de alguém, na sua pressa já estava na praça da Torre Eiffel, e com tudo esbarrou em uma mulher da rua, com seus reflexos rápidos a agarrou e puxou contra si, a dama agradeceu:
- Merci – disse a jovem.
- ... De nad... – Leon reparou então, era ela, a mulher que amou, seu nome, Cléo, era ela seu anjo, ou demônio, que o puxou do buraco, mas o empurrou num precipício, ela lembrava uma princesa, tinha a pele clara e cabelos negros como a noite, seus olhos azuis como o mar em noite de lua, lábios rubros como rosas, pele macia de pêssego, olhar de virgem apaixonada, corpo de deusa do Olimpo, e pertencente ao homem que ele tanto odeia. – Cléo...
- Leon ! – sua interjeição foi doce, ela também não pensava que o veria ali, só soube abraça-lo e dizer – que bom que voltou! Estou feliz que esteja aqui!
Ela o abraçou com vontade como se nunca quisesse tê-lo deixado ir.
Num turbilhão de pensamentos que passaram por sua cabeça Leon pode se recordar dela, ao menos o que não esquecera...Sim era ela, o mistério por traz da frieza de Leon, essa tal dama de nome Cléo, na verdade era um dos vários aprendizes de circo que haviam na época de Leon. Ela, Leon e Julian possuíam mestres, e ambos, ele e Julian, a conheceram num mesmo dia. Era um dia chuvoso, disso ele se recordava, ele e Julian tinham ido ao centro para ganhar algum dinheiro com suas acrobacias, porem a chuva estragou seus planos, desciam as ruas com velocidade, pisando nas poças de água, quando chegaram em casa, estavam encharcados, tremendo e com fome, ao entrarem tomaram cuidado para não deixar Alan vê-los molhados, mas de nada adiantou:
- O que vem a ser isso? – Alan gritou do corredor do térreo ao vê-los naquele estado – molhados, na minha sala? Querem ficar doentes e estragar todo o trabalho que tive para ensina-los? Vão tomar banho agora e depois limpar essa bagunça.
Quando estavam para subir as escadas uma pessoa veio atrás de Alan, ela era o que os homens deveriam chamar de “perfeita”, na época ela lembrava uma boneca de porcelana frágil, que Leon gostaria de proteger e manter ao seu lado e que Julian queria para expor e dizer que era propriedade dele, Leon na sua pura inocência da época, corou ao ver tanta beleza junta e nem um “olá” foi capaz de dar, já Julian, apesar de ter a mesma idade, foi tão cordial e simpático que deixou-a encabulada:
- Olá meu nome é Julian e acho que você é um anjo que caiu do céu de tão bela que é – Julian não sabia o que seria aquele calor no peito dele, e como Leon não se pronunciara interviu – e esse aqui é Leon, Leon Oswald...
- Hã, o quê ? – Leon estava absorto na dama, que estava com um vestido branco longo, chinelos simples e um casaco preto sobre os ombros, depois somente é que pensou em responder – haa oi.
- Oi.Prazer em conhece-los, meu nome é Cléo Valentine – ela disse com um sorriso inesquecível para Leon.
- Leon ! Está molhado! Vem tomar banho! Anda! – Sophy encontrava-se no topo da escada, descera para ver o que tinha acontecido, e junto com ela trazia toalhas para os dois.
Ela delicadamente secou os cabelos de Leon e em seguida os de Julian, e então se apresentou:
- Olá! Sou Sophy Oswald, prazer em conhece-la! – disse cordialmente.
- Prazer. – disse ela.
Logo após uma seqüência de chamadas de atenção de Alan, eles foram tomar banho.
Esse fragmento da memória de Leon era talvez o fato mais marcante nela. Após aquele encontro, e após o banho, Alan explicara a eles que ela iria ficar junto deles por um tempo, tomaria lições de circo pois ela iria fazer um teste para trabalhar num circo da região, tinha sido enviada por sua mestra da Sicília para ter aulas com Alan e permaneceria até o dado teste, se passasse ficaria na França, senão voltaria para casa, ela passou e ele, Leon, acabou por se apaixonar pela boneca que depois virou seu anjo e mais tarde seu demônio, e agora uma lembrança indesejada.
Leon estava inquieto, após esse lapso que durou segundos, quando estava começando a ficar calmo e aceitara que não iria se envolver com Layla, ela aparece, linda, e solitária. Ele via nela seu brilho, era maior que todas as estrelas, sua aura era mais forte do que qualquer anjo, era ela que Sophy amava mais no mundo, era ela solitária, perdera grande parte de seu brilho, algo nela gritava.
- Não gostou de me ver? – disse clama
- Não. Aliás nem sei o porque te encontrei – Leon disse frio, tentando voltar ao seu estado são, e afastou- a de seu corpo.
- Estou procurando por Ju...- não completou – bem, nada.
- Ainda está com ele! Não acredito que ele conseguiu te prender por tanto tempo – ele saiu andando procurando por Layla.
- Eu... Sim, estou – ela disse aquilo triste, abaixando a cabeça – nós vamos nos casar, em breve.
- Meus parabéns – foi um cumprimento, sarcástico, na verdade, e ela sabia o porque – se me dá licença.
- Não, não dou – ela começou a segui-lo – você não falou comigo após aquele ...
- Acidente? – completou Leon, queria achar Layla, agarrar-se a ela e tentar esquecer aquilo.
- Bem... É. – ela estava constrangida, sabia daquela historia, encara-la era doloroso demais, mas precisava contar-lhe o ocorrido.
E ela continuou a segui-lo, e ele a buscar Layla.
Layla estava em perigo, Julian a alertou de que qualquer grito, pedido de ajuda ou tentativa de fuga acarretaria num grave problema para ela, mas ela já sabia que ele não brincava com isso. Apesar de Leon levar o titulo de Deus da Morte, Julian era conhecido como Estripador, ele não machucava ninguém, dentro dos palcos, mas quando pessoas iriam enfrenta-lo ou se confrontavam com ele, estas se acidentavam, se machucavam, ou de alguma forma não poderiam comparecer as suas apresentações, ás vezes até problemas com familiares ocorriam, sempre que alguém o encontrava no caminho, mas ninguém fazia nada, era tudo “parte do show”, mas Layla não entendia o que aquilo tinha haver com ela. Ele a agarrou pelo braço e começou a arrasta-la, e por lugares que ela não conhecia, e para piorar ele começou a contar uma historia, de uma forma que a fez temer:
- Bem Layla, eu vi nos jornais seu envolvimento repentino com Leon, interessante, posso te contar uma história - ele olhou para ela, e ela claro não queria ouvir, mas continuou – Posso? Que bom então vamos lá.
“Era uma vez, dois garotos que perderam seus pais juntamente com uma linda garotinha, bom os nomes deles eram: Leon e Sophy Oswald e Julian Jaccques. Eles viviam num orfanato após a morte de seus pais, e eles viraram amigos e brincavam muito, mas o que eles mais gostavam era das artes circenses, eram admiradores, mas não podiam assistir a shows porque não tinham dinheiro ou ter aulas por causa que era muito caro, assim eles começaram por si próprios treinar circo, desde malabares com bolas, até diabolos e acrobacias. Num belo dia um homem foi ao orfanato com uma mulher, eles ficaram a olhar as crianças, e os garotos sabiam que eles não seriam adotados, afinal eram grandes, tinham quase 12 anos de idade, nunca seriam escolhidos, e assim continuaram seus treinos, nada muito excepcional mas chamava a atenção de como manipulavam objetos, e faziam acrobacia entre si, quando já estava quase escurecendo, e os jovens estavam exaustos, tinham desenvolvido umas duas técnicas novas e iriam entrar para comer e dormir, quando de repente o jovem e a moça se aproximaram deles, eles receberam o convite para serem aprendizes de circo! Eles ficaram muito felizes, mas... O homem só queria os rapazes e a pequena garotinha iria ficar, logo seu irmão mais velho se pronunciou e disse que não iria sem sua irmã, o outro gostava da companhia deles, mas ele queria ser grande, e não se importava muito com eles, mas pensou “e se ele fizer algo comigo? E se quiser me matar?” ele pensou, então achou mais sensato apóia-los, o homem queria os rapazes, mas vira que não iria ter nenhum, acabou cedendo.
Eles foram com o homem, que se chamava Alan, e descobriram que ele era uma grande artista de circo que agora era treinador, e a moça também só que ela era da Itália, na região da Sicília, e ela fora embora para o seu país de origem. Quando os treinos começaram, eles quase desistiram, era muito mais difícil do que pensavam, mas lutaram e passaram todo o tempo lutando para serem os melhores.
Até um dia em que tomaram uma grande chuva quando foram ao centro tentar ganhar algum dinheiro, chegaram molhados e sem nada nos bolsos, tomaram uma bronca daquelas, quando iriam se retirar, apareceu uma linda jovem, da idade deles e aprendiz da tal moça que conheceram no orfanato, ela iria aprender uma técnica com eles, mas o que ninguém sabia era que essa técnica na verdade foi criada única e exclusivamente para aquele casal de treinadores, o “Vôo dos Anjos”, seria ela e um deles para executa-la
Os treinos foram maçantes e mais e mais os garotos se aproximavam da tal moça, Cléo Valentine, ela era linda, de beleza inigualável, porem inocente e pura, Leon acabou por se apaixonar por ela e Julian de certa forma também. A técnica era difícil seria algo como a técnica angelical, mas envolvia mais uma dança pelos ares, trocas de trapézios insanas e no final o fechamento seria uma acrobacia na qual os dois se encontravam no centro do picadeiro e davam um giro, não na horizontal, mas sim na vertical, e no final o rapaz traria a moça para o trapézio e lá, bem lá teria um beijo.
O que ninguém sabia, novamente, é que só um dos dois rapazes seria esse tal moço.
Naquela altura eles já tinham 15 anos e a moça 16, o amor já corria por suas veias e o desejo por ela também, a amizade dos rapazes estava tornando-se uma batalha por ela, e a tal irmãzinha assistia tudo aquilo com coragem, e em segredo Alan ensinava a ela a Técnica Angelical e ela devorava tudo o que ele passava a ela, mas Leon era burro o suficiente para não perceber o quanto sua irmã estava acabada por causa daquilo, ele só queria ela, Cléo, e o outro também.
O que ninguém sabia era do amor que existia entre Leon e Cléo, na verdade Cléo foi a primeira em tudo para Leon, tudo mesmo! E Julian, bem Julian não queria aquilo, então tramou algo.
No dia da escolha do parceiro da tal dama, bem lógico que Julian ganhou, e Leon... Bem Leon não foi a favor, ai veio a surpresa, Alan dispensou Julian afinal a partir daquela técnica ele o considerava forte o suficiente para seguir seu caminho sozinho, mas Cléo queria Leon, assim decidiram continuar seu secreto romance.
Ai veio o “grã finale”, o F.I.C., lógico que eles iriam participar, e Leon iria com Sophy, Julian já sabia da tal técnica angelical, e estava disposto a derrubar aquilo que poderia dificultar a sua ascensão. Então ligou para um parente distante dele, Yuri Killian, lindo jovem russo que confabulou com ele um plano. Era simples, sabendo por Julian da paixão de Sophy por ele, ele ligaria para ela e diria que queria ansiosamente conhece-la, ela não iria resistir ai, bem ele iria ceda-la e impedi-la de ir deixando Leon a ver navios, e enquanto isso, Julian tomaria para si aquilo que almejava tanto, e acabaria deixando de participar também como parte do acordo. Para que isso ocorresse, ele disse que queria resolver um ultimo detalhe com Cléo, e a chamou em seu quarto, lá a sedou com um comprimido para dormir, e bem digamos que tomou para si a dama de Leon, e esperou.
Por obra do destino a confabulação saiu melhor que a encomenda! E Sophy sofrera um acidente, Leon desesperado foi procurar Cléo e, bem, a encontrou na cama com outro! Tadinho do Leon! Lógico que Julian apanhou um pouco, e Cléo, bom ela acordou e, apesar de chorar e dizer que não sabia o que tinha acontecido, ele a deixou sozinha, e ela comigo, oh! Logo após isso ele descobriu que Sophy morrera, Yuri ganhou o F.I.C. com Layla e perdeu o seu amor para o seu rival, ou seja, moral da historia, Leon é um fracassado”.
- Gostou da historia? – ele perguntou para ela, friamente.
Naquela altura ela estava num beco sujo, com a boca tapada pelas mãos de Julian e ela via ele como um contador de historias de terror, e seus olhos estavam com um brilho assustadoramente calmo, a outra mão contornava o rosto de Layla, passando pelo queixo, descendo até o pescoço, contornando os seios belos dela, passando pela cintura, descendo as pernas e por fim voltando ao rosto.
- Só não te machuco de verdade porque quero que Leon se apaixone por você para mim roubar mais uma dele – ai os olhos dele encararam ela – e você o que me diz? Seu namorado, ou noivo ou ex, ou sei lá o que, viu como ele é igual a mim, Srta. Layla?
Destapou a boca dela, mas ela estava traumatizada o suficiente para gritar e responder, aquela historia seria real, ele faria isso por aquele titulo? Ela merecia aquele titulo? Ela ficou a pensar, e deixou uma lágrima escorrer, a garota que morrera era Sophy, o quão boa ela era para eles tramarem aquilo? Seria ela capaz de vencer a irmã de Leon?
- Eu sei o que está pensando, será que você a venceria? Eu acho que sim, mas o ponto não é esse, eu quero te alarmar de uma coisa, esse ano Cléo e eu venceremos, não se meta ou você será mais uma na minha lista entendeu? – ele se afastou e penetrou com os olhos sobre ela, e deu-lhe um beijo frio sobre os lábios assustados dela – agora vá, e corra para Leon ele deve estar te procurando, esta avisada.
Layla saiu desnorteada, assustada e com medo, Julian permaneceu no beco onde acendeu um cigarro, e lá recebeu um telefonema:
- Jaccques, o que? Ele aqui? Certeza? Estou a caminho deixe-me só achar Cléo deve estar a gastar meu dinheiro, sim estarei lá, amanhã? Melhor ainda, OK, Salut.
Ela, assustada com a historia que passava por sua cabeça a cada instante, esbarrava em todos, que xingavam em diversas línguas, num desses encontroes esbarrou em Leon e ao lado dele Cléo que tentava desesperadamente manter um dialogo com ele.Ele surpreso viu-a assustada, segurou-a com força e disse:
- Layla o que houve! Layla! Fale comigo! – ela estava branca como a neve que começava a cair, ela levantou a cabeça e apenas começou a falar palavras soltas.
- Frio...Medo...Sophy...Julian...Leon... desculpa...- ela desmaiara sobre ele, sobre seus braços, Leon se assustou, o que seria aquilo?
Da multidão viu seu anjo aparecer, Julian vinha andando, calmo, com um cigarro aceso, e vindo em direção á Leon disse:
-Leon que saudade! Layla! Tadinha! Acho que não agüentou a historia da sua vida – dissera aquilo para irrita-lo, e conseguira – não se preocupe Leon ela sabe tudo, espero que agüente, aqui é uma morada de anjos, mas também de demônios ! Há-há-há-há-há!
Leon virou-se violentamente para Cléo e disse:
- Afaste-se de mim, afastem-se de nós! – exclamou com coragem, e saiu a andar, passando por Julian, correu para sua casa, assustado e definitivamente arrependido de ter vindo para a França.
- Que pena nem pudemos tomar um chocolate quente – Julian se virou em direção a Cléo que agora chorava, abraçou-a com violência e sussurrou em seu ouvido – não se preocupe nada vai nos atrapalhar.
- Suas palavras tem veneno – Cléo afirmou com medo.
- Eu sei – ele então a beijou com raiva – mas você é minha, seus desejos são meus e nada que você faça ira liberta-la de mim.
Cléo, sentia o beijo como uma morte instantânea, um beijo envenenado que a matava aos poucos e tragava dela um pedaço de sua vida.
Cap. VI – Cléo Valentine
Realmente aquele foi o ponto critico de todo a que ela passou em sua vida. Ela presa as correntes de Julian, não podia se aproximar de Leon, que por sinal estava com Layla, e ela novamente estava sozinha no mundo criado por Julian.
Quando saíram da praça, tomaram rumo a casa deles, ou melhor de Julian, num distrito relativamente longes do centro, mas de alto padrão, típico de dele. Tomaram um táxi, e durante o caminho nada falaram, apesar de ela estar praticamente vendo sob seus olhos tudo o que a levou àquele momento.
Cléo nasceu na região da Sicília embalada pelo cheiro do mar e de uma vontade de alcançar as gaivotas do cais e voar como um anjo.
Ao ser designada por sua família, os Valentine, que estavam em decadência, com a missão de trazer o prestigio de volta, foi levada para treinar com a maior artista de circo da região Agatha Solo, herdeira dos Solo da Grécia e ex-parceira de Alan.
Ela, por desejar o mundo, o céu, o topo, enfrentou chuva sobre sues ombros, pesos em seus braços, horas exaustivas de musculação para alcançar o topo, e chegou bem perto dele quando sua treinadora a convocou para ir a “Cidade Luz”, Paris.
Treinando com Alan poderia ser dona da Técnica Angelical que era mundialmente famosa e mundialmente temida por todos os artistas de circo. Ela se julgava capaz de executá-la e acabou por cair do cavalo quando descobriu que na verdade seria dona de outra grande técnica o “Vôo do Anjos”, a técnica que foi executada somente uma vez por Alan e Agatha. Sua vontade de lutar para alcançar o céu minguou mas algo a reergueu. A presença de dois belos jovens naquela casa, dividindo seus treinos, naquela cidade, fez com que ela acreditasse ser capaz.
Julian Jaccques e Leon Oswald eram antes uma força pois ela sentia dó deles após saber de suas trágicas historias, sentimento esse que se transformou em alimento pois apesar de abandonados ainda assim lutavam por seus sonhos e estavam a milímetros de alcança-los. Junto daquela força e coragem ela embarcou rumo a essa técnica, mas acabou por se enfeitiçar pelos sonhos e asas deles, mas sem saber do que um deles escondia.
Leon, jovem tímido, beleza nunca antes vista e virilidade de um semi-deus, trazia a Cléo uma sensação de paz, conforto e coragem, o mais intrigante, pensava ela, seria como toca-lo, como aproxima-lo dela. Seus braços fortes a dominar o trapézio, a leveza dos movimentos, os olhos instigados a lutar, ela queria aquilo, queria aqueles braços a protegê-la, a leveza embalando-a e os olhos azuis acinzentados sobre si. Dizer que ela o amava talvez não era o suficiente, a idolatração do anjo que um dia iria guiar outro anjo aos céus era grande, mas sua ira quando soube que ela não seria esse anjo enfureceria a princesa.
Já Julian, herdeiro do sol, de olhos apaixonantes e força de um tigre, trazia nela uma sensação de desejo, queria apenas sentir o corpo quente dele e nada mais, algo como um instinto carnal pelo tigre, nada mais alimentava ela por ele. Ele sabia ser cordial, amoroso e atencioso, diferente de Leon que era reservado demais. Ela nunca poderia pensar que ele iria tecer a mais fina teia, de tão rara qualidade e engoli-la de tal forma que nem suas chamas poderiam queima-la.
Mas com Leon era diferente, após cerca de um mês do inicio dos treinos eles se aproximaram de forma muito sutil e doce.
Trocavam olhares, saiam juntos, viviam as mesmas experiências, compartilhavam a mesma dor, tão íntimos e ao mesmo tempo tão separados, nem Julian percebeu aquela aproximação. Foi numa noite fria quando ela saiu enfurecida que aquele amor aconteceu.
Ela estava revoltada com o treino preparatório que deveria ser para entrar em alguma escola de circo, mas sabia desde o inicio que não era aquilo, treinava para uma técnica da qual não conhecia e com dores em lugares que nem sabia que sentiam dor. Não avisou que iria sair, simplesmente saiu, quando deram por sua falta, convocaram Leon para procurá-la, ele saiu apressado, revirando ruas e becos e a encontrou a beira do Rio Sena, solitária a olhar para as águas calmas sob a noite:
- O que faz aqui? – disse ele ao vê-la apenas com um vestido preto revolto sobre o vento deixando suas pernas fortes aparecerem – estão te procurando! Se Alan e Agatha a virem assim eles me matam.
- Que matem – Cléo disse rispidamente – prefiro morrer, sabe o que não é saber o que enfrentamos? O porque treinamos tão incessantemente sem saber para que?
- Alan sempre agiu assim – Leon, que naquela época agia civilizadamente, com o pouco de coração que lhe restava consolou-a – temos que lutar e treinar e você têm que ser forte para alcançar seu sonho de alcançar o céu.
- Não! – ela gritou – eu mereço explicações, estou longe da minha casa há um ano e meio e... Não tenho ninguém para me apoiar.
As lagrimas molhavam o busto ofegante, os cabelos negros torturavam o rosto avermelhado castigado pelo frio que fez com que Leon jogasse seu casaco sobre ela e pela primeira vez a abraçou com amor de quem realmente aceita o sentimento:
- Você tem a mim, e todo o meu amor por você – ele disse acalentando aquela dor.
Ela retribuiu o abraço com o fervor daquela paixão, daquele desejo de aproximação, e timidamente Leon ergueu seu rosto pelas pontas dos dedos frios, e pode observar as curvas do rosto de Cléo, desde os olhos azuis, e a pele branca rosada e avermelhada, a seus rubros lábios aguardando para serem deflorados, e ela o mesmo, observado aquele rosto do jovem homem da qual percebera que nutria tanto amor e consideração. Ao avançar sentiu duvida que foi esclarecida por ela que avançou um pouco e ele terminou por beija-la, um beijo doce e quente, que aqueceram ambos lábios frios e os encheu de calor. Mas não perceberam que alguém os espreitava, quieto, ao longe em pleno silencio, mas com uma cólera gemendo por dentro.E permaneceram juntos, nessa relação quieta e secreta até o grande dia.
A tão dura batalha entre Leon e Julian aconteceu seis meses após aquele momento, a essa altura os rapazes tinham 17 anos e a moça 18, aquele confronto foi travado num dia de sol, estavam presentes no ginásio Cléo, os dois rapazes, Sophy, Alan e Agatha.
A prova era simples, deveriam executar o maior numero de acrobacias em 3 minutos, o que não havia muito haver com os treinos preparatórios, trazendo aos jovens duvidas do porque daquilo, mas Alan disse apenas uma frase solta no ar:
- O Vôo dos Anjos – disse Alan – não é só uma técnica, é também uma “revelação”, quem ganhar hoje irá lutar para alcançar o céu mas só alcançará se suas “asas” forem nobres, brancas e verdadeiras.
Nada aquilo esclareceu, apenas criou um vácuo na memória de Cléo que ressurgia naquele instante no carro.
Julian conseguiu vencer fácil por apenas uma volta a mais do que Leon, que ao perceber que perdera ganhou um brilho no olhar unicamente raivoso, afinal sabia do final da acrobacia, do beijo, e de seu ciúmes por Cléo, quem acabou por consolá-lo foi Sophy, mas era ela, Cléo que devia dar-lhe colo, ela!
O amor deles vivia em segredo, apenas Sophy sabia por ser irmã de Leon, nem os treinadores desconfiavam, pensava ela, mas aquela derrota soou estranho para ela, quando Alan deu-lhes os parabéns por estarem prontos para o real treino, que seria dado por Agatha:
- Bem agora que definimos isso Julian você passará a ser treinado por Agatha, a minha parte com você acabou – Alan foi sucinto e um pouco mais caloroso, sentia orgulho dele – você permanecerá aqui na França mas em outro local juntamente com Cléo, e terão a honra de participar do festival internacional de circo.
- Agradeço desde já – Julian disse.
- Mas... – Agatha interviu – ainda não acabou, agora Julian e Cléo serão os novos donos da técnica do Vôo dos Anjos, e Sophy e Leon serão contemplados com a Técnica Angelical.
- O que? – Leon e Cléo exclamaram.
- Sim, vocês – Agatha parecia ter planejado tudo – como você Leon não reparou, Sophy vinha tendo treinos periódicos tanto comigo quanto com Alan, para essa técnica, o destino apenas jogou as cartas na ordem certa desta vez.
Cléo queria gritar, seu céu sendo dominado por outra! Para ela, Sophy era uma incapacitada, fraca e sem nenhuma condição de executar aquilo, quando ganhou o Vôo dos Anjos, e Sophy a Técnica Angelical, nada podia dizer o quanto aquilo era maçante para ela suportar, já previa como iria ser. Leon treinaria com Sophy, sua atenção se voltaria para ela, sua coragem em dizer palavras de forçam em curá-la e carregá-la nos braços quando exausta, apesar de os braços dele estarem matando-o, aquilo deveria ser dela! Pertencia a ela, sua vontade de tocar o céu acabou por se inflamar em chamas para derrubá-la, por mais que Sophy a tivesse como um ídolo iria derrubá-la e subir ao topo ao lado de Leon.
A coragem dela de vencer passou a ser alimentada por uma raiva para com a jovem, da técnica, do afeto, da atenção, da luta dela para alcançar um sonho e por suas asas. Eram brancas e puras, de invejar a todos, de iluminar por onde passa, coisa que Cléo não tinha, a sua vontade era quase uma ambição, mas toda ambição exagerada passa a ser algo doentio.
Ver Leon quando dava, sentir dores, estar longe de casa e de seu amor, consumia Cléo que cada vez mais perdia as “asas” da qual a técnica pedia, sua pureza era corrompida por ódio, ambição e inveja, mas ela iria vencer.
No tal dia do F.I.C. acabou por ir falar com Leon, desejar-lhe boa sorte, ele a tratou bem, beijou-a e desejou que vencesse o melhor, mas Leon estava perturbado, Sophy havia saído e não retornara ainda e eles seriam os próximos e nada dela.
Cléo quase viu aquilo como uma benção, mas logo em seguida foi chamada por Julian para uma breve conversa em seu quarto, despediu-se dele e subiu.
Tudo acontecera naquela hora, Sophy sendo atropelada e ela cedada por um maldito copo d’água, ferida por dentro por Julian.
Quando acordou no quarto, estava nua e se sentia sonolenta, apenas pôde ver dois vultos que aparentemente estavam voando, quando recobrou a visão, percebeu, eram Julian e Leon, brigando, mas por que? Por ela! Ela perdida naquela cama, pediu ajuda a Leon que a empurrou com tanta força que acabou por machuca-la, tinha perdido a apresentação, e tinha sido ferida:
- Você me traiu – Leon gritava – logo agora que eu mais preciso de você!
- Não estou entendendo Leon – Cléo chorava e tentava ao máximo fazer Leon abrir os olhos.
- Não percebe! Você, nua na cama, no quarto de Julian, o que acha que eu sou! Idiota!? – Leon avançou contra Julian e o bateu com toda a força que lhe restava, e toda a dor que o consumia.
- Acabou Leon, provou-se um perdedor, ela me ama e você não tem nada – consumou-se a vingança de Julian.
- Adeus Cléo e obrigada por me derrubar no mais fundo precipício de dor, a traição – Leon andou em direção a porta, bateu-a com força e desapareceu da França, da vida dela e do mundo.
- Não, não, não! – Cléo ainda gritava – enrolada a um lençol, e ajoelhada no carpete frio clamava por piedade – ele me ama, eu não quis isso, eu não fiz isso.
- Acabou Cléo, ele não te ama, provou que não acredita em você – Julian ainda sangrava pela boca mas mesmo assim a abraçou, estava somente de calça, e podia-se ver as marcas dos encontrões com a parede e os móveis, e os socos de Leon – mas eu ainda estou aqui, deixe que eu te proteja, confie em mim.
Era aquilo, o inicio da jaula, da teia ou de qualquer coisa que a prendera nesse mundo que era comandado por Julian. Seu fim e sua derrota, foi naquela noite. Logo após cerca de três meses desde o acidente, Julian mudou e assumiu, a forma do demônio sugador de vidas, a vida de Cléo, em várias das vezes em que a agredia, a violentava, ele mais e mais contava o que realmente acontecera naquela noite, do remédio para dizer que ela “traiu” Leon, do plano dele e de Yuri para afastar Sophy dos palcos, e do desaparecimento de Leon, e Julian ressaltava que apesar de amá-la Leon não voltaria atrás, por conhece-lo desde criança sabia que bastava uma “pisada” para ele nunca mais querer ver a imagem de alguém.
E ela sofria e chorava e desejava que por mais que ele a machucasse nada mudaria aquilo, principalmente por desejar o pior para Sophy, somente por uma maldita técnica e uma pessoa que era seu irmão e que tinha com ela uma paixão e um zelo nunca visto igual, era ela que estava errada e por mais que tentasse fugir de Julian cada vez mais se sentia igual a ele, frio, calculista e marcado por traumas igual ela, nem Leon, nem ninguém poderia apagar.
Ao chegarem a casa, ela entrou na frente de Julian, passou por um hall lindamente decorado com flores, e foi em direção a bandeja de vinhos que se encontrava na sala de estar, quando estava para levantar a garrafa, Julian apoiou a mão sobre o ombro dela e disse:
- Bem... Ele ainda não acredita em você – Julian começou a roçar o queixo nos ombros dela, e acabou por derrubar o xale que deixou a mostra a roupa que ela vestia, uma blusa de frente única usada em treinos, e docemente beijava seu pescoço e tocava com suas mãos calejadas o corpo da princesa – mas que pena que não pode sair daqui não é? Ficou feliz de vê-lo?
- Queria poder tê-lo beijado e ao menos relembrar de quando eu era feliz – Cléo o alfinetou, ele se afastou e ela encheu uma taça de vinho que bebeu em um gole só.
Ao se afastar dela, ela começou a consumir mais e mais vinho, tentando se acalmar. Quando de repente sentiu uma forte pancada na nuca, que a empurrou por sobre a bandeja e o buffet e acabou por rolar sobre ele derrubando a bandeja, e um vaso que se espatifou no chão, escorregando até o chão, mórbida, tremendo e com medo, viu que o autor daquela pancada era Julian:
- Não se esqueça de me respeitar, quando nos casarmos, ninguém irá poder tirá-la de mim – Julian subiu as escadas que davam de frente para a porta de entrada e deixou Cléo no chão com as mãos cortadas pelo vidro, e a boca sangrando por ter batido a boca no móvel – a fênix negra nunca mais vai se erguer, você será feliz ao meu lado e de mais ninguém, eu te amo Cléo, e vê-la ao lado de Leon seria o mesmo que assinar seu contrato de morte, OK? Amanhã teremos visitas, esteja bela como sempre, e doce como um cãozinho adestrado, boa noite.
Deitada, se sentia suja, por ter sido violentada por Julian, por perder seu amor e por não ter como se desculpar por desejar que Sophy falhasse, chorava naquela imensa sala, embalada pela luz da lua que passava pela cortina e recaia por sobre seu rosto ferido, do seu apelido de palco, a Fênix Negra, agora só era dor e pó, gritava por ajuda, e para que pudesse escapar da lamina do Estripador, que a mantinha naquela jaula chamada culpa.
Cap. VII – Julian Jaccques
Quem não desejaria ser como ele? Belo, jovem, poderoso, rico, imponente, tinha tudo para ser o que alguém invejava ou desejaria ao menos uma vez na vida, era ser como ele. Mas ele mesmo não gostava de si, desejava ser algo que não podia ter, queria ser um anjo, igual aos anjos que rodeavam-no, puro, casto, verdadeiro. Não ter asas negras, não ser racional queria amor, mas amar com paixão, queria ser forte, mas não ter a fortaleza que criou, ser apenas algo que não era ele.
Após agredir Cléo, ele subiu as escadas do hall, brancas e decoradas com uma fina madeira, naquele imenso casarão no qual morava. Foi presente do pai de uma de suas amantes, uma russa da qual não se recordava o nome, onde o pai queria mais do que nunca mantê-la ao lado de um grande artista para melhorar a visão da mais uma das famílias que tinham decaído do mundo dos circos, como Cléo, mas ele mais uma vez apenas a usou para ter aquilo. Uma mansão num local nobre de Paris, para ele e Cléo, mais um status que ele conseguira em sua escalada para o sucesso.
Julian chegou ao topo e se dirigiu para o seu quarto, no fim do corredor. Tinha as portas entalhadas e dentro via-se um belo jogo de sofás, com uma linda TV, mais a frente um banheiro enorme, e uma sacada que alcançava todo o comprimento do quarto e tinha uma visão das luzes de Paris, que estavam incrivelmente intensas naquele ano, a cama de casal, lembrava camas antigas da época dos reis, e foi palco de quase todas as agressões para com Cléo.
Julian apenas entrou, e começou a se trocar, tirou a camisa, que deixou a mostra uma serie de marcas em suas costas, várias eram de cair do palco ou do trapézio, cortes profundos de quedas e marcas de agressão não de Leon, mas de seus pais.
Foi ao banheiro onde soltou e escovou os cabelos loiros, que estavas num comprimento absurdo, passavam do meio das costas, desabotoou a calça, e se encarou no espelho, os cabelos avançavam pela face perturbada que o deixava com uma visão andrógina se aquilo na frente do espelho seria homem ou mulher tamanha beleza escondida, parou e pensou quem ele era, se o que fazia era justo, perdera as penas de suas asas e consumia-se em cinzas. Apenas chacoalhou a cabeça, passou pela porta, tirou os sapatos, encheu uma taça de vinho e sentou-se no sofá onde começou a divagar sobre seu passado...
Julian quando levado ao orfanato foi tirado de sua família, que vivia na periferia de um dos distritos da França, a algumas horas de Paris. Naquele antro, dividia lugar com seu pai, um alcoólatra que mantinha a casa com uma seqüência incrível de crimes e nunca era pego, uma mãe que apanhava dele e descontava em Julian, que era o mais novo de três irmãos.
Tinha uma irmã mais velha que era praticamente uma prostituta que trabalhava no centro de Paris, para pessoas de cargos altos, e tinha uma vida de invejar, sendo mantida por uma seqüência de “bem-feitores”, ricos e influentes e um irmão do meio do qual sempre o ajudava e tinha um desejo talvez mais imponente do que os de Julian, queria crescer e ser famoso, rico, ter um futuro, ser um grande artista de circo, seu sonho seria o de ir para o Cirque du Soleil. E Julian acompanhando aquele desejo fez dele o seu também.
Sobreviver naquele lugar era tarefa de mestre, correr da policia e apanhar dela, conviver com infrações da justiça como suborno, além ameaças freqüentes. Seu pai, que sempre fugia para aquele cubículo de casa trazia “amigos” que abusavam de sua mãe, que nada podia fazer se não morria, e ele se escondia num lugar sujo da casa onde ouvia tudo e às vezes era obrigado a assistir aquelas maldades contra ela. Seus irmãos nunca estavam lá, Christine vivia no centro, vinha lá apenas para dizer ao pai dela que graças a mais um “favor” ele não seria preso e o avisava de quando ele deveria sumir para não ser pego, e ele em troca dava-lhe jóias vindas de seus furtos, seu irmão, Francis, estudava e trabalhava no centro e tinha uma conta onde guardava dinheiro para ir ao Canadá, e ele ficava isolado num mundo que ele tinha certeza de que nunca iria sair.
Após aquelas visitas, a mãe dele o pegava e batia nele até ele quase desmaiar, ele apenas chorava e gritava, afinal não poderia reagir aquilo, não tinha saída, e ela após espancá-lo jogava nele sal para que as marcas não aparecessem para que quando seu irmão voltasse, não visse o estrago.
Até o dia em que aquele mundo desabou, como se uma mão divina o tirasse daquele lugar.
Na época ele devia ter uns 10 ou 11 anos que ele podia jurar que eram uma vida interia jogada no lixo. Seu pai entrou numa grande fria, pedira dinheiro emprestado para comprar armas, mas não conseguiu pagar por elas na data estipulada. Os homens foram a casa deles, e pegaram sua mãe e a arrastaram-na até uma rua e atiraram contra ela sem dó, ela morrera na hora, em seguida vieram atrás dele. Ele corria com medo, via as balas zunirem sob seus ouvidos e corria e corria, quando viu que não tinha como fugir de tantos tiros e pessoas, virou-se e esperou para que uma bala o carregasse daquele lugar, fechou os olhos e aguardou.
Já tinha visto aquele lugar se apagando de sua memória, quando sentiu o tiro entrar, não em seu corpo mas no do seu irmão, ele se jogou a frente do tiro e mandou que ele corresse:
- Sempre aparece ajuda, você é bom Julian merece uma vida melhor, nem que para isso eu tenha que morrer – Francis ficou parado até ter certeza de que Julian estaria fora do alcance dos tiros e logo após constatar que ele estava seguro caiu na rua e logo foi abatido por mais tiros.
Julian corria e chorava, e quando chegou até uma rua deserta bateu de frente com um homem alto, que lembrava um anjo, que o pegou pelo braço. Julian com medo começou a se debater, tentando se soltar, mas o homem apenas abaixou-se na altura dele e o abraçou, e disse docemente:
- Calma, já acabou, agora você também pode descansar – o homem o abraçava com amor e calor de um pai e dizia – você lembra o meu filho sabe...
- Eu tenho medo, quero sair daqui – Julian chorava e o abraçava.
- Calma sempre quando você precisa um anjo aparece, não importa quando – o homem que dizia aquilo era alto, tinha os cabelos prateados presos em uma trança bela e imponente, os olhos eram verdes quase azuis, tinha as feições fortes e olhar doce, carregava uma arma automática e falava pelo radio de onde deveria atuar a equipe que por sinal estava atrás daquele pessoal. – não se preocupe eu comando essa operação, e você estará bem aqui comigo.
- Obrigado – foi a ultima coisa que ele disse, da qual se lembra. Daquele anjo que o salvou, queria ao máximo ser como ele, puro como ele, lutar pelo bem, mas ele sabia que não tinha sangue nobre como Alexander, estava fadado a uma vida de mentiras sobre seu passado.
Em seguida seu pai fora preso, os corpos do seu irmão e de sua mãe foram recolhidos e sua irmã também foi presa, o delegado, o homem que o abraçara, levou-o ao cemitério para o sepultamento de seus parentes. Lá Julian jurou ao seu irmão que ele teria tudo o que ele sonhara e a sua mãe teria paz, em seguida foi deixado em um orfanato onde morou até o dia em que Alan o escolhera.
Ele nunca mais soube do homem que o ajudou e o deixou naquele orfanato, que apesar de não ser o seu lar era o melhor lugar do mundo. Quando foi recebido pela dona do orfanato, ela lhe contou sobre o homem que o salvara, seu nome era Alexander Oswald.
Alexander Oswald. Seu anjo. Naquele instante ele desejou algo mais profundo de que ser grande, queria ser imponente como seu salvador, queria ser anjo como ele, ajudar os outros, e se não pudesse ajudar apenas encantar como ele o encantou. Iria deixar o cabelo crescer, e treinar muito para ser a personificação de Alexander.
Soube, porém pouco tempo depois, que ele havia morrido após uma outra missão contra um outro mercador de armas, e seus filhos seriam levados para um orfanato pois não tinham mais parentes e a mãe deles já tinha falecido vitima de um acidente no Cirque du Soleil.
E por acidente do destino conheceu Leon e Sophy, que foram levados para lá pouco tempo depois dele, Julian que até então não sabia que eram filhos de Alexander se tornou amigo deles.
Quando descobriu que Leon era filho do seu anjo, algo nele gritou. Ele nunca seria Alexander, pois havia um sangue que podia ser melhor do que ele, podia assumir o posto de “Alexander” e isso frustrou suas expectativas de ser o melhor “anjo”.
Aos olhos de Julian aquilo ferira ainda mais ele que era carregado de traumas violentos contra sua pessoa, ao saber que o seu amigo era o filho daquele homem, criou nele um sentimento de inveja pelo jovem.
Leon era calmo, simples, e com essas características fazia o encanto de todos, e Julian era um “nada” que viera de um lugar sujo, podre. Ele queria aquela imagem, aquele brilho, e quando se aproximou dele viu que realmente nada que ele fizesse mudaria seu passado, quando pôs isso em sua cabeça seguiu em frente e desejou apenas os céus.
Quando foram levados por Alan, ele também descobriu que seu irmão havia lhe deixado uma pequena fortuna que ele usou com toda a sua força para ser tornar grande. Assim usou aquilo para se tornar à imagem de Alexander, e conseguira, até Leon podia dizer que aquele era o pai dele mas ele não se sentia, “Alexander”. Sentia-se Julian disfarçado em marcas de roupas caras, e sorriso atraente, isso ele realmente sabia.
Depois conheceu Cléo, por quem se apaixonou. Deusa branca que estava se inflamando em chamas, dona do rosto de porcelana e dos lábios de mel, era ela que ele podia dizer, ser a personificação de sua felicidade, e nutrir algo por ela era mais fácil do que executar técnicas e tentar ser algo que ele não era.
Mas na realidade, o sentimento de frustração por não poder ser que o ele tinha desejado anteriormente já tinha tomado a maior parte do seu mundo, e já havia tomado o controle.
Assumiu o que era e como aquilo era necessário para ele, como ira ser de verdade e para sempre a pessoa “podre” que ele era, iria ao menos seria feliz com Cléo nem que ele tivesse que matar para conseguir. Conquistá-la era fácil, mas saber de seu amor por Leon foi mais do que um ardor, mas uma consumação do mal que corria em suas veias, decidiu por si mesmo que queria ela, amava ela e fez coisas terríveis por causa dela.
Quando soube que Alan o deixaria para treinar com Agatha, estava ciente do romance de Cléo e Leon. Separados pela distancia, Julian tomou as rédeas, e cercou Cléo.Conversavam muito, apesar de dez palavras que Cléo dizia, duas eram Leon. Ele sabia do amor, sabia das noites juntos, e detalhes delas.
Como foi a primeira vez, quando eles saíram para viajar depois de ela ter se mudado, e Leon disse que ela seria dele por inteiro, de alma, e de corpo, assim consumaram o amor um pelo outro numa praia no qual foram conhecer. Bem como das brigas e do ciúme dela para com Sophy, enfim, ele era o “melhor amigo” de Cléo.
Irritado com aquela situação, ele decidiu conhecer os seus oponentes, e como por ajuda do destino conheceu Yuri, jovem russo, que tinha medo do estrago que Leon poderia causar se ele o enfrentasse, e com ele tramou o plano que matou Sophy.
Na noite em que ele chamou Cléo ao quarto, ele já tinha afastado Sophy do caminho, e quando ela chegou serviu-lhe o copo de água. Ela bebeu com coragem, pois estava muito nervosa, foi questão de minutos até ela se sentir sonolenta e finalmente cair no chão.
Ele a carregou até a cama, e apoiou-a no travesseiro. Sabia que Leon iria chegar a qualquer hora desesperado pedindo ajuda a ela sobre o desaparecimento de Sophy, ele só teria de despí-la para que Leon tivesse a impressão de que ela dormira com ele e só, mas, vê-la dormir um sono tão belo e profundo, tirar suas roupas, e examinar o seu corpo de perto, as curvas belas, dos seios brancos, da respiração ofegante, das pernas fortes, de tudo, fez com que ele não resistisse àquilo que era de Leon, e cometeu o pecado de possui-la.
Leon ao chegar no quarto pode ver apenas Cléo nua escondida na penumbra de um quarto, e Julian sentado na janela, apenas de calça, que estava aberta. A reação dele foi de querer empurra-lo, mas pelo contrario, apenas começou a bater nele sem dó, e mais uma vez Julian se sentiu o garoto usado por todos que merecia aquilo como forma de tentar pagar por ser o que não queria, por ser o demônio de asas brancas, que somente se revelam à noite.
Naquele momento percebeu o monstro que era, o sangue que tinha e o destino que estava fadado a ter. Ter violentado Cléo foi a gota d’água que se revelou nele.
Mas ele esqueceu que ele podia mudar, cegou-se com sua imagem do passado e apagou o fato de que ele é um objeto inconstante e aberto a opções, ele, Julian Jaccques é um ser que pode errar, mas pode mudar e pode crescer. Ele poderia ter sido um anjo, ou quem ele quisesse desde que acreditasse no melhor...
Julian voltou de seu transe quando Cléo entrou no quarto machucada. Mancando e sangrando viu Julian divagando e disse:
- Não vai dormir?– disse ela entrando no banheiro.
- Ainda não – ele levantou-se e seguiu-a – vou te ajudar com os curativos.
Ele sentou-a no sofá e começou a passar remédio nas escoriações. Conforme passava, sentia o toque aveludado da pele dela e a velocidade na qual respirava. Cortes nas mãos, nos braços e nos ombros feriam a pele da Fênix Negra que foram feitos por ele, bolsas de gelo abrasavam a dor na nuca e na testa, marcada com uma forte vermelhidão, mancava pois caíra em cima do pé na hora que escorregou do móvel para o chão, conforme passava remédio nas escoriações sentia-a tremer ora por medo dele, ora por dor, Julian se sentia mal perante ela, talvez ela nunca fosse entender o amor dele por ela, e que provavelmente Leon ainda estava no coração dela, mas dadas às circunstancias, ele permaneceria ao lado de Cléo o tempo que ele pudesse agüentar.
Quando chegou a boca, contornou com os dedos os lábios que tinham um leve corte aproximou-se deles e beijou-os com doçura e amor e deixou cair uma lagrima fria por sobre as pernas de Cléo que levou um susto. Ela sabia o que era aquilo. Chamava-se culpa.
Ela conhecia toda a sua historia, pois Julian sempre oscilava entre o mal puro e o bem acalentador. Ora ele vagava em seu passado, ora o descarregava nela, e tudo o que ela sentia era dor e dó. Ele era sozinho, cresceu sozinho, apenas com uma certa ajuda do irmão do qual morrera por ele, e ele apenas era fruto do que passou.
Cléo segurou a mão dele sobre seu rosto e disse:
- Eu te desculpo – ela disse com o olhar de uma mãe, como se aquilo curasse as penitencias dele.
E ele apenas apoiou a cabeça sobre suas pernas e chorou, quieto, como sempre fazia no canto escuro do qual se escondia em sua casa, sentido os dedos de Cléo por seus cabelos longos, a olhar a janela e a noite.
O tão belo anjo acabou por perder a beleza da liberdade, consumiu-se em pó das cinzas e penas das asas que deixou partirem por não confiar de que ele era capaz de lutar e mudar.
Aquela noite, bem como aquele dia foi o mais longo de uma serie de longos dias que passariam pela França e pela vida dos jovens.
A roda do tempo gira com mais força ainda... Quando irá parar?
Em que posição deixará as almas e a que horas cessará?
Nem Cléo, Julian, Leon ou Layla podiam afirmar, mas o tempo passa e não pára, ele entra em nossas vidas e nos convida a rir ou chorar, ou nos marca para sempre...
Até quando dura o sempre?
acabei por exagerar nesse post, porém, eu tenho que alcançar a publicação que se encontra no orkut, e em alguns sites por isso desculpem ¬¬
com esses capitulos de hoje, esclareci tudo o que eu tinha levantado anteriormente, e acrescentei algo mais nessa mistura, dentre elas está os novos personagens:
Julian Jaccques, o misterioso rival de Leon e Cléo Valentine, o amor obscuro do Leon. Esses personagens foram elaborados basicamente para dar enfase a historia, para que Leon tivesse um passado a ser explicado e traçado, e consequentemente uma ligação com o futuro proximo de Leon.
Julian é baseado na imagem de Rosiel de Angel Sanctuary, um anjo corrompido pelo mal, cheio de misterios, ambicioso, mas, solitario e cheio de traumas em seu passado.
Cléo não tem uma inspiração obvia, eu a criei do fruto da minha mente, mas o meu desejo é que ela se assemelhasse a uma deusa, mas a uma pessoa qualquer, alem do fato de eu quere-la morena da pele clara criando um contraste com Leon o que eu acho bonito de ver, duas pessoas bem diferentes entre si mas belas como um conjunto, alem disso na descrição dela, eu uso de adjetivos de princesas da Disney e trechos de musicas e livros, dando uma ideia de uma princesa (reparem).
Ambos terão capitulos proprios para explicar seus passados, mas não em sequencia mas sim ao longo do trajeto. Bem como não esquecerei do KS, todos de lá (ao menos os que eu considerar importantes nesse enredo) também irão aparecer, não se preocupem.novamente venho lembrar que eu criei essa fic para dar a Leon um passado, e como eu escrevi esse passado peço a compreensão de quem lê.a partir de agora a fic seguirá numa velocidade insana de imagens e fatos, como podem ter percebido no cap V, e de novo desculpe por colocar tudo junto, mas era necessario aquela historia.¬¬de novo obrigado por lerem e se algo não ficar claro aos seus olhos por favor me digam.
Esse capitulo é um esclarecimento a todas as maldades de Julian feitas até agora e parte das que ainda vão vir.
Ele nasceu numa família que nada mais fazia a não ser bater nele, daí o fato de querer crescer e ser poderoso, via a mãe ser violentada, por isso tortura Cléo, viu a frieza pela qual mataram seus parentes, por isso a frieza nas atitudes. Mas tudo isso destaca a reação dele ao seu mundo hostil no qual vivia, por isso digo que amo o Julian, ele é mais um vitima do sistema, dos atos e do que sofreu, acho então que ele apenas é o que ele assistiu e conviveu em grande parte de sua formação, na passagem da fase adulta para adolescente onde refletimos nossos atos e nos formamos como pessoas, como nós, que aprendemos algo pela experiência e adquirimos traumas devido a elas.
Julian se mostra uma pessoa calculista que não consegue sequer amar, por medo de ser usado ou desiste para não sofrer, aqui também uso ele para uma critica.
NUNCA DEVEMOS DESISTIR DE MUDAR como ele fez, devemos tentar e tentar até que não possamos mais respirar pois sempre há um “anjo” que nos salva, que pode ser uma pessoa, ou um fato, ou uma tentativa se é que vocês me entendem mais pensem a respeito.....
Gostaria que opinassem a respeito dele e dessa minha critica...
Agradeço de novo quem lê, e principalmente quem posta dando opinião, das quais eu ADORO!!!
Continuem a ler OK??? Calma que ainda não acabou ...
Kissus
Karen
Dona da comu e da fic
Ele nasceu numa família que nada mais fazia a não ser bater nele, daí o fato de querer crescer e ser poderoso, via a mãe ser violentada, por isso tortura Cléo, viu a frieza pela qual mataram seus parentes, por isso a frieza nas atitudes. Mas tudo isso destaca a reação dele ao seu mundo hostil no qual vivia, por isso digo que amo o Julian, ele é mais um vitima do sistema, dos atos e do que sofreu, acho então que ele apenas é o que ele assistiu e conviveu em grande parte de sua formação, na passagem da fase adulta para adolescente onde refletimos nossos atos e nos formamos como pessoas, como nós, que aprendemos algo pela experiência e adquirimos traumas devido a elas.
Julian se mostra uma pessoa calculista que não consegue sequer amar, por medo de ser usado ou desiste para não sofrer, aqui também uso ele para uma critica.
NUNCA DEVEMOS DESISTIR DE MUDAR como ele fez, devemos tentar e tentar até que não possamos mais respirar pois sempre há um “anjo” que nos salva, que pode ser uma pessoa, ou um fato, ou uma tentativa se é que vocês me entendem mais pensem a respeito.....
Gostaria que opinassem a respeito dele e dessa minha critica...
Agradeço de novo quem lê, e principalmente quem posta dando opinião, das quais eu ADORO!!!
Continuem a ler OK??? Calma que ainda não acabou ...
Kissus
Karen
Dona da comu e da fic
